domingo, 6 de março de 2011

50 Obras Revolucionárias - Nº 1 ...E a música mais revolucionária é...

Igor Stravinsky
Hoje completa-se o ciclo de 50 semanas com 50 artigos justificando quais as 50 obras musicais mais revolucionárias da história. É com muito prazer e satisfação que hoje apresento a música Nº1!!

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Os críticos concordaram que a obra musical mais revolucionária é a arrebatadora Sagração da Primavera. Com uma obra que ainda conserva seu poder de chocar, Stravinsky tornou-se, da noite para o dia, o notório pai da música do século XX. Revisitamos a desastrosa estreia, explicando a enorme fama da Sagração e revelando sua melhor gravação. (Segue o artigo completo da revista Classic CD, escrito pelo crítico Michael Hayes)

  • 1 - A Sagração da Primavera (1913) - Stravinsky
Vaslav Nijinsky
A cena da mais famosa agitação da história da música foi o recém-inaugurado Théâtre des Champs-Elysées de Paris, em 19 de maio de 1913. O programa, composto por quatro obras com os Balés Russos de Serge Diaghilev, incluía três belos e comportados balés: Les Sylphides, Le Spectre de la Rose e um sucesso da temporada anterior, as "Danças polovtsianas" da ópera Príncipe Igor de Borodin. E havia uma nova obra: A Sagração da Primavera, com o subtítulo de "Cenas da Rússia Pagã", com coreografia de Nijinsky, o super-astro em ascenção. O regente era Pierre Monteux; e a música era de Igor Stravinsky, que saíra, nos últimos anos, da obscuridade para a posição de um dos mais famosos jovens compositores da época.


A estranha música da introdução d'A Sagração da Primavera já havia provocado um sussurro de descontentamento por parte da seção mais elegante da plateia. Quando a cortina subiu, para revelar o que Stravinski muitos anos depois descreveu como "um grupo de Lolitas de tranças e pernas tortas saltando para cima e para baixo", o auditório desintegrou-se num semi-caos. Os gritos das ultrajadas damas da sociedade eram acompanhados pelos berros de aprovação dos que assistiam ao concerto em pé, no fundo da plateia. Evidentemente, a maior parte da música não conseguia ser ouvida. Um Stravinsky furioso foi para os bastidores e encontrou Nijinsky em cima de uma cadeira na coxia gritando números para os bailarinos, que tampouco conseguiam ouvir a música.

Stravinsky na polícia
É uma boa história, e realmente aconteceu. Mas, na verdade, não explica o enorme impacto da partitura de Stravinsky sobre a história da música. O tumulto da plateia era uma especialidade parisiense naquela época. (Durante um tumulto similar na estreia francesa das Cinco peças para orquestra de Schoenberg em 1912, ouviu-se uma dama distinta gritar: "É uma desgraça sujeitar viúvas de guerra a uma coisa como esta!") A causa principal do tumulto da primeira noite foi, sem dúvida, a coreografia de Nijinsky que deve ter parecido provocativamente excêntrica na época; execuções posteriores, durante a mesma temporada, tiveram melhor acolhida. E a estreia da Sagração como obra de concerto em Paris no ano seguinte foi um imenso triunfo, com Stravinsky sendo depois carregado nos ombros pelas ruas por exaltados admiradores.

Quase cem anos depois, houve uma redução no impacto do colossal poder rítmico da música, muito reforçado pelo uso de uma poderosa orquestra (madeiras a cinco, oito trompas, cinco trompetes, três trombones, duas tubas, percussão variada e cordas), por Stravinsky. A tendência virtuosística do compositor russo para o ritmo já havia se evidenciado em O Pássaro de Fogo e Petruchka, mas se tratava de um senso rítmico rico e inflamado, embora ainda reconhecido como autêntico ritmo de balé. Como convém ao assunto étnico, não clássico, da Sagração, sua linguagem rítmica era diferente: pesada, inflexível, de pés batidos na terra e subversiva.

O traço realmente notável da partitura, contudo, é como ela consegue seu poder de terremoto. O uso que Stravinsky faz da percussão é bastante restrito, além de uma bateria de tímpanos (em uma complexa execução que exige dois instrumentistas). Em vez dela, ele usa toda a orquestra como uma única unidade percussiva. Enquanto trabalhava na partitura ao piano (como sempre fez), ele descobriu-se explorando o efeito de acordes superpostos em diferentes tonalidades - literalmente, uma tonalidade na mão esquerda e outra na direita.

Ele percebeu que essas combinações de acordes eram unidades de material musical bruto que podiam proporcionar os complexos ritmos irregulares que estava instintivamente buscando. Neste sentido, sua própria versão para dois pianos da Sagração, feita para ensaios do balé original, é bastante interessante. Se você estiver interessado, experimente a excelente execução de Benjamin Fritch e Peter Hill pela Naxos. Os acordes superpostos no coral Zvezdoliki (O Rei das Estrelas), composto pouco antes de A Sagração, são os precursores da ideia, mas nessa obra eles evocam uma imobilidade mágica e visionária. O fato de Stravinsky perceber que o mesmo artifício podia ser trabalhado exatamente no sentido oposto - o desencadeamento elementar do ritmo  foi um verdadeiro golpe de gênio.

Mesmo assim, esta foi uma daquelas revoluções que parecem ter iniciado e encerrado suas mais fortes possibilidades em uma única e surpreendente realização. Stravinsky poderia ter facilmente escrito para uma orquestra tão grande em suas obras posteriores, mas ele nunca o fez, e esta influente partitura, na verdade, tem pouquíssimos sucessores em sua obra ou nas de outros compositores. (Entre os cataclismas similares estão Amériques e Arcana de Varèse, a Tuarangalîla-symphonie de Messiaen e A Máscara de Orfeo de Birtwistle.) Pois esta é uma música que olha tanto para trás quanto para frente.

Mestre Rimsky-Korsakov
Apenas cerca da metade da obra é, na verdade, composta por ritmos explosivos e marcantes. Boa parte do resto é música exótica e evocativa, arrebatadoramente orquestrada e relacionada com o bruxuleante mundo sonoro do reverenciado mestre de Stravinsky, Rimsky-Korsakov.

Vários dos temas da Sagração, como o bizarro solo de fagote que abre a obra, baseiam-se em canções folclóricas, na época um recurso tido em alta estima entre os compositores russos. O título original de Stravinsky para A Sagração era Vesna Svyaschennaya, "Sacra Primavera", evocando algo essencialmente russo, o que fica claro desde o início de sua Introdução - uma colagem serpenteante e borbulhante de linhas musicais quase visivelmente evocativas, segundo Stravinsky, do "mais maravilhoso evento anual de minha infância... a violenta primavera russa que parecia começar em uma hora, e era como se toda a terra estivesse se fendendo".

Primavera Russa
Qualquer gravação de qualidade tem que expressar o máximo possível desses múltiplos componentes. Trata-se de uma tarefa difícil de ser cumprida e, além disso, o status d'A Sagração como um clássico que sempre vende significa que não pode deixar de ser gravada com muita frequência e rotineiramente. A maioria das versões se anulam justamente por essas razões. Das restantes, algumas das melhores estão inexplicavelmente fora de catálogo (por exemplo, Tilson Thomas e a Sinfônica de Bostom pela DG, ou a gravação de Monteux de 1951 pela CA), ou que pelo menos estavam quando fiz esta pesquisa (por exemplo Inbal e a Philarmonia, relançada). Mas lá vamos nós...

Aaaantes de entrar nas análises interpretativas, vamos entender melhor do que se trata a peça:

GUIA RÁPIDO D'A SAGRAÇÃO


De que se trata?
O sacrifício de uma jovem (a escolhida), em celebração ao advento da primavera numa Rússia pagã/antiga/étnica, que dança até a morte diante da tribo.

Como é mesmo??
Foi esse cenário que Stravinsky e Nicholas Roerich, pintor e arqueólogo, elaboraram para a última encomenda feita ao compositor pelos Balés Russos, a companhia de Diaghilev. Stravinsky estava interessado nas explosivas possibilidades dramáticas latentes na ideia. Ele também era jovem, determinado, tremendamente ambicioso e - como ficara claro nas estreias de O Pássaro de Fogo e Petruchka nas temporadas do Balé Russo de 1910 e 1911 - fantasticamente talentoso.

Por que toda a notoriedade?
Para começar, por causa da legendária reação da plateia presente à noite de estreia de A Sagração da Primavera. ("Exatamente o que eu queria", disse Diaghilev.) Subsequentemente e de maneira mais genuína, devido ao incrível poder de fogo rítmico da música, produzido pela maior orquestra para a qual Stravinsky jamais escreveu. Na verdade, a música ocidental nunca ouvira antes algo semelhante.

ANÁLISES INTERPRETATIVAS

Stravinsky: Estonteante
A gravação do próprio Stravinsky, feita em 1960, tem o brilho de uma revelação. Infelizmente houve boas razões para ela não ser a principal indicação da revista Classic CD, mas ela é nossa primeira opção. A qualidade sonora, embora razoavelmente clara e tridimensional para a época, não se compara às da era digital. A execução orquestral ignora detalhes hoje aceitos por todos ( Na Introdução, por exemplo, o corno inglês não consegue articular as graciosas notas em torvelinho com clareza.) No clímax da Dança do Sacrifício no final ouvimos o timpanista totalmente fora do tempo com relação a todo o resto da orquestra. É surpreendente que esta passagem não tenha sido corrigida. O resto é transcendental. Já na Introdução da Parte 1, temos uma flexibilidade do fraseado espontânea e, ao mesmo tempo, bem controlada, que seduz o ouvido. É admirável como Stravinsky consegue que os músicos individuais caracterizem o que estão executando: o trombone solo em Rondas Primaveris parece ter saído diretamente da História do Soldado, e os trompetes, diretamente de Petruchka. Algum elemento da perfeita articulação e da objetividade simples das Rondas Primaveris lança-nos em um mundo de estepes russas banhadas pelo sol de uma maneira tão vívida que quase podemos sentir o cheiro da relva. Até mesmo as complexas passagens são maravilhosamente claras, e não há qualquer economia no poder de fogo. Stravinsky incorpora suas próprias revisões de 1943 (não incluídas na partitura revisada e publicada em 1947, por ele sancionada e devidamente usada por outros regentes), A Dança do Sacrifício como foi registrada nesta gravação é um importantíssimo documento. E sua regência brilha com valores da produção musical de uma outra era. 

Boulez: Exemplar
Foi Pierre Boulez que, no Festival de Edimburgo de 1967, que regeu a mais excitante execução ao vivo de A Sagração que já ouvi falar, após a qual a resposta da plateia quase pôs abaixo o Usher Hall. Este disco dá uma ideia do porquê dessa reação. Realizada em 1969, é a primeira das duas gravações da obra que Boulez fez com a maravilhosa Orquestra de Cleveland, e suplanta a bela gravação posterior (1991, pela Deutsche Gramophon), à qual falta a mesma eletricidade. Ninguém mais deixa, quase literalmente, que a música fale ou se aproxime mais da descrição que Stravinsky fez do regente ideal: um sineiro na extremidade da corda. Se esta gravação é capaz de gerar entusiasmo - e ela sempre o faz -, é porque a música entusiasma. O controle de Boulez é um fenômeno. Um exemplo dele é a transição do Jogo do Rapto para Rondas Primaveris, a que ele aplica um toque de aceleração - suficiente para produzir uma resposta em toda a orquestra, tão espontânea quanto coletivamente exata. Nenhum outro regente que já ouvi executa a Dança do Sacrifício desta forma, com uma combinação surpreendente de controle sem pressa do andamento, ímpeto inexorável e grandeza monumental. Seu defeito é a quase total ausência de fenômenos atmosféricos. A maneira pela qual Boulez trata a Introdução da Parte II é bonita, mas se trata da beleza desconexa e contida de Ravel, e não a do mundo sonoro brilhante, evocador de Rimsky-Korsakov, do jovem Stravinsky. Mas, à sua maneira, esta é uma abordagem legítima da Sagração da Priavera e da reinvenção que Stravinsky fez de si mesmo como compositor com base na França. Uma gravação essencial, mas longe de definitiva. O fato de estar acoplada com Petruchka torna-a mais atraente.

Järvi: Chocante
Järvi trata A Sagração de modo a obter resultados bastante irregulares. Não há dúvida quanto ao nível virtuosístico de sua fluência e comando. O problema é o que ele faz com esse virtuosismo. Depois de os sopros da Suisse Romande terem demonstrado sua excelência na Introdução, Järvi atribui um andamento empolado aos Augúrios Primaveris, muito aquém da indicação metronômica de Stravinsky. No Jogo do Rapto, evidenciam-se um extravagante nível de decibéis e uma falta geral de preocupação para com o controle de todo e a clareza da textura. A Introdução da Parte II é tocada de maneira tão prosaica que boa parte dela soa como despretensiosa música de balé (o que ela é, mas não deveria soar assim). As deformações incluem um accelerando ao longo dos 11 acordes martelados que levam à Glorificação da Eleita, coisa não prescrita pela partitura. Vistos esses pontos fracos, o que resta para salvar a gravação? Duas grandes coisas. A qualidade visceral desta enorme obra para orquestra é um de seus traços essenciais, e o tremendo volume produzido por Järvi na Dança do Sacrifício, gravada (em 1994) com uma dinâmica coerente, está de acordo com essa visceralidade. Por outro lado, ele destaca em sua leitura a autêntica herança de Rimsky-Korsakov, aparente nas apaixonadas cordas cantantes do Jogo das Cidades Rivais e na adorável luminescência lírica das Rondas Primaveris. Também muito boa foi a escolha de Järvi das peças que completam o disco - três das maravilhosas obras tardias de Stravinsky, inclusive uma das maiores, o Requiem Canticles, todas maravilhosamente executadas. Talvez não seja a melhor Sagração de nossa seleção, mas seus complementos fazem dela a mais atraente.

Ancerl: Enérgico
Uma Sagração tcheca - portanto, deve ser interessante. Mas, por vezes, é também bizarra. Com a Orquestra Filarmônica Tcheca sob a regência de Karel Ancerl, os compassos introdutórios da Sagração da Primavera imediatamente definem o bizarro, com um efervecente solo de fagote acompanhado por uma segunda trompa cujo vibrato é tão amplo quanto o rio Moldávia ao passar por Praga. Mas o que se segue é tão convincente que o ouvinte logo se acostuma com as outras estranhezas - que é como elas soam, pelo menos aos ouvidos da Europa Ocidental - e com o som (bastante bom) registrado em 1964. O trabalho de Karel Ancerl com esta orquestra, a essa altura, já os tinham levado a um notável nível de atuação individual e coletiva. Na Parte I, encontramos um sentido alegre e ensolarado de balé autêntico, como nas Rondas Primaveris e há muito de ferocidade virtuosística quando a celebração fica séria na Parte II. Ao longo de toda a execução, a precisão dos ataques nos acordes é digna das maiores orquestras do mundo. O Cortejo do Sábio, acompanhado por tubas troantes e trompas brilhantes, é um espetacular ponto alto. Mas, então, temos o estranhíssimo andamento com que Ancerl trata a Evocação dos Ancestrais, com literalmente a metade da velocidade claramente indicada pela partitura. Um erro de impressão em sua cópia ou apenas uma leitura equivocada são as possíveis explicações. O efeito é, na verdade, bastante atraente, como se os dançarinos tivessem repentinamente começado a dançar a Sinfonia dos Salmos do compositor russo, mas não deixa de ser um defeito técnico. Não tenho muita certeza se essa objeção deve contar muito, pois todo o resto é de grande energia. Um disco fascinante.


Rattle: Excelente
A gravação de A Sagração da Primavera que Sir Simon Rattle realizou em 1980, depois de muita consideração de nossa parte, acabou por evidenciar-se por si mesma. Talvez porque existam dois tipos de regente seriamente talentosos: os que fingem eficiência e os que não o fazem. Rattle é um dos que não fingem. A incontestável qualidade desta gravação é ela oferecer, por um lado, boa parte da precisão non-sense de Pierre Boulez e, por outro, a expressividade de Järvi. Os sopros da CBSO (City of Birmingham Symphony Orchestra) saem-se muito bem no importante teste da Introdução, com uma clara qualidade sonora, se bem que não idealmente cheia e arredondada. Logo Rattle já está exibindo sua capacidade de moldar as efervescentes linhas líricas da Introdução com uma sutileza que Boulez jamais teria conseguido. Rattle é o único regente aqui listado a observar exatamente os andamentos prescritos por Stravinsky nas Rondas Primaveris, o que funciona de maneira soberba. Ele desembaraça os mais complexos emaranhados orquestrais de uma forma tão clara quanto a de Stravinsky. E seu tratamento a Dança do Sacrifício Final (comprove na audição comentada a seguir) mostra exatamente como se canaliza a força máxima da música sem precisar disparar com ela. Ainda acho que algo da atmosfera exótica da obra se mostra estranhamente ausente (especialmente na Introdução da Parte II). Afinal, esse é um balé com uma história. Nas mãos de Rattle, fica parecendo mais um abstrato Concerto para orquestra. Mas numa única gravação de uma obra-prima como a multifacetada Sagração da Primavera nunca se encontra tudo. Provavelmente, Rattle seja o melhor de nossa seleção. Com certeza, é o mais empenhado.



AUDIÇÃO COMENTADA
Parte II "A Dança do Sacrifício" - Simon Rattle


Na Dança do Sacrifício, no final da obra, uma jovem consagrada ao deus da primavera dança de forma frenética antes de se deixar morrer num auto-sacrifício. Apesar de todas as complexidades técnicas da música, aqui temos a forma simples de um Rondó dançante: ABACA

A. Uma flutuante clarinete baixo comanda a Ação ritual dos ancestrais, e a moça começa imediatamente a dançar - uma combinação de ritmos pesados e assimétricos (acotovelando-se em grupos irregulares de 2, 3 ou 4 batidas) e blocos de acordes estreitamente superpostos. Em 0:22 os tímpanos solos iniciam um motivo obsessivo e oscilante com duas notas. Em 0:30 temos um apêndice enérgico em fortíssimo.

B. (0:33) Cordas, fagotes e trompas pulsam calmamente, estabelecendo um acompanhamento que aguarda o surgimento de um tema. Quando este chega, é um estridente fortíssimo dos trombones (0:48) e trompetes. Em 1:58 os primeiros violinos acrescentam um tema ondulante a lá Scherezade, de inquestionável proveniência rimskyana. Ele é abruptamente interrompido por volta de...

A. (2:10) ... uma repetição da seção inicial, mas um semitom mais baixo (de modo que não soa exatamente como se esperaria.

C. (2:40) Irrompem tímpanos agitados e trombones que rosnam em glissandi, instigados por trompas e trompetes em fortíssimo. Um fragmento de melodia semifolclórica, ouvida pela primeira vez em 2:50, é tocado pelas trompas e predomina cada vez mais. A música de A é brevemente interrompida (3:17), então, a selvagem dança de C recomeça (3:26) com maior ferocidade.

A. (3:49) Uma variante do início do movimento retorna com tubas resfolegantes e trombones resmungões, aos quais logo se juntam os tímpanos (4:00). Em 4:15, o motivo do "apêndice" para toda a orquestra (ouvido pela primeira vez em 0:30) agora se transforma no material que propulsiona a música e a própria Eleita para um clímax sonoro devastador e (em 4:55) um paroxismo final.

VEJA!

VÍDEO - DANCE SACRALE - A escolhida dança até se entregar à morte


Baixe a Sagração da Primavera completa AQUI




ASSIM TERMINA A SERIE 50 OBRAS REVOLUCIONÁRIAS

2 comentários:

Deise disse...

Só me entristece que "Fantasia" de Disney fez uma releitura totalmente equivocada. O cinema acabou transformando a história, e provavelmente foi esta versão mostrada ao grande público que ficou na mente de muitos.

Rodrigo Nogueira disse...

Olá Deise!

Fantasia utilizou essa música para ilustrar a evolução da vida na Terra. Claro que não foi essa a proposta de Stravinsky, conforme o artigo demonstra, mas de qualquer forma, Fantasia foi um excelente veículo de divulgação à massa de grandes obras eruditas, e por cumprir satisfatoriamente este intento, penso ter oferecido um grande serviço. Certamente despertou o interesse de muitas pessoas a investigar sobre a obra e "descobrir" as verdadeiras intenções dela.

Abraço!

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