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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Os Piores Filmes Postados no Blog em 2010!

Batman & Robin: Provavelmente o pior filme da história!
Estamos no final do ano - época de festas, férias e das famosas listas!

No ano passado elegi os 15 melhores e os 15 piores filmes que assisti, para relembrar a relação, clique no link abaixo:

Para este ano, trago uma ideia diferente: vou listar a relação com os 10 melhores e os 10 piores filmes postados no blog, ou seja, não não se trata de todos os filmes que vi, apenas os que postei no blog no decorrer do ano de 2010.

Legenda
10 - Obra-prima
9 - Excelente
8 - Muito bom
7 - Bom
6 - Bom, mas recomendado com reservas
5 - Razoável
4 - Mau, mas com alguns méritos
3 - Mau
2 - Muito mau
1 - Horrível
0 - Lixo

Números do blog (2010)

  • 53 filmes postados, sendo
    • 1 com nota 10
    • 1 com nota 9
    • 8 com nota 8
    • 13 com nota 7
    • 5 com nota 6
    • 10 com nota 5
    • 6 com nota 4
    • 5 com nota 3
    • 2 com nota 2
    • 2 com nota 1

Caso o leitor queira saber mais sobre o filme relacionado, incluo um link para a postagem original aqui no blog, com direito a resenha e trailer (na maioria deles).

Se você quiser deixar sua opinião sobre as listas ou sobre algum filme em particular, fique a vontade para utilizar o espaço para os comentários, aliás, sua opinião é muito bem-vinda!

A ordem começa com o menos pior (10º lugar) até a maior porcaria do ano, na minha opinião (1º lugar)

OS 10 PIORES DO ANO

10º Lugar:
Jogo de Mentiras
Nota 4 - Link
9º Lugar:
Os Coletores
Nota 3 - Link
8º Lugar:
Solomon Kane - O Caçador de Demônios
Nota 3 - Link
7º Lugar:
Faces da Verdade
Nota 3 - Link
6º Lugar:
Predadores
Nota 3 - Link
5º Lugar:
Jonah Hex
Nota 3 - Link
4º Lugar:
O Desinformante
Nota 2 - Link
3º Lugar:
Caso 39
Nota 2 - Link
2º Lugar:
Legião
Nota 1 - Link
1º Lugar (a maior bomba do ano!):
2019 - O Ano da Extinção
Nota 1 - Link

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Os Melhores Filmes Postados no Blog em 2010!

Cena de "Cinema Paradiso"
Estamos no final do ano - época de festas, férias e das famosas listas!

No ano passado elegi os 15 melhores e os 15 piores filmes que assisti, para relembrar a relação, clique no link abaixo:

Para este ano, trago uma ideia diferente: vou listar a relação com os 10 melhores e os 10 piores filmes postados no blog, ou seja, não se trata de todos os filmes que vi, apenas os que postei no blog no decorrer do ano de 2010.

Legenda
10 - Obra-prima
9 - Excelente
8 - Muito bom
7 - Bom
6 - Bom, mas recomendado com reservas
5 - Razoável
4 - Mau, mas com alguns méritos
3 - Mau
2 - Muito mau
1 - Horrível
0 - Lixo



Números do blog (2010)

  • 53 filmes postados, sendo
    • 1 com nota 10
    • 1 com nota 9
    • 8 com nota 8
    • 13 com nota 7
    • 5 com nota 6
    • 10 com nota 5
    • 6 com nota 4
    • 5 com nota 3
    • 2 com nota 2
    • 2 com nota 1

Caso o leitor queira saber mais sobre o filme relacionado, incluo um link para a postagem original aqui no blog, com direito a resenha e trailer (na maioria deles).

Se você quiser deixar sua opinião sobre as listas ou sobre algum filme em particular, fique a vontade para utilizar o espaço para os comentários, aliás, sua opinião é muito bem-vinda!

OS 10 MELHORES
10º LUGAR:
Amor Sem Escalas
Nota 8 - Link
9º LUGAR:
A Caixa
Nota 8 - Link
8º LUGAR:
Machete
Nota 8 - Link
7º LUGAR:
O Lobisomem
Nota 8 - Link
6º LUGAR:
(500) Dias com ela
Nota 8 - Link
5º LUGAR:
A Ilha do Medo
Nota 8 - Link
4º LUGAR:
Ameaça Terrorista
Nota 8 - Link
3º LUGAR:
A Estrada
Nota 8 - Link
2º LUGAR:
O Segredo dos seus Olhos
Nota 9 - Link
1º LUGAR:
A Origem

sábado, 25 de setembro de 2010

Ameaça Terrorista


Unthinkable (2010)


Direção: Gregor Jordan. Com Samuel L. Jackson, Carrie-Anne Moss e Michael Sheen.

Sinopse: Cidadão estadunidense alega ter instalado três bombas atômicas em três diferentes cidades de seu próprio país. Com pouco tempo disponível para poder descobrir e desarmar as bombas, agentes do governo  mostram toda a barbárie de que são capazes em termos de tortura para fazer o criminoso falar, chegando ao ponto de cometer atitudes impensáveis.


Esse texto contém spoilers

Steven Younger (Sheen) é um ex-agente militar estadunidense que servia no chamado "mundo árabe". Por isso foi treinado para aguentar todo o tipo de tortura (caso fosse apanhado...). Convertido ao islamismo, retorna ao seu país e passa a viver pacificamente frequentando uma mesquita próxima de sua residência. Um belo dia, envia um vídeo ao governo onde afirma ter construído e instalado três bombas nucleares em diferentes cidades dos EUA, informa que dentro de alguns dias elas explodirão se suas exigências não forem aceitas, só que ele não faz as exigências, pelo menos não no vídeo. Inicia-se assim uma caçada ao sujeito, pois de posse de suas qualificações militares, o governo suspeita que a ameaça seja verdadeira.

Sheen - Espetacular!
Younger se deixa encontrar e capturar. Por se julgar um patriota, insiste que sua atitude é radical, porém necessária para convencer os governantes a mudar sua política internacional de modo a evitar a perda inútil de vida dos soldados estadunidenses e de povos islâmicos.

Aí entram para tentar convencer Younger a entregar a localização das bombas a agente federal Helen Brody (Moss), sua equipe e o misterioso H (Jackson). H mostra-se um verdadeiro açougueiro que causa espanto no telespectador e em seus colegas de várias instituições do governo, inclusive do exército, por sua abordagem violentíssima.

Jackson: Brutal
O filme mostra como o governo dos Estados Unidos é inflexível quanto à sua "política externa" de subjugar países que resistem ao seu controle imperialista, alerta contra as práticas de tortura que efetivamente existem praticadas em territórios de sua influência (vide Guantanamo), além de deixar claro que existem pessoas idealistas e fundamentalistas que são capazes de tomar atitudes extremas para conquistar seus objetivos (aqui me refiro tanto ao terrorista quanto às instituições governamentais).

O roteiro é forte mas é acometido de falhas, por exemplo, percebemos que Younger se preparou excepcionalmente para tomar as atitudes que tomou, mas "esqueceu" de salvaguardar sua família, entre outros detalhes; porém, acredito que a força da mensagem não fica esmorecida.

Carrie-Anne em conflito
Samuel L. Jackson, mais uma vez tem uma atuação arrogante, entretanto cabe perfeitamente ao personagem que interpreta. Michael Sheen está espetacular, seu trabalho impressiona, talvez a melhor interpretação deste bom ator que já havia se destacado em filmes como A Rainha e Frost X Nixon. Carrie-Anne faz uma agente do FBI que, cheia de escrúpulos, acha um absurdo o que está sendo feito para obter a localização das bombas, porém, no decorrer vai entrando em conflito consigo mesma ao entender que as drásticas medidas são necessárias.

A grande maioria das cenas são rodadas em um galpão secreto onde as torturas são feitas e há diálogos fortes que deveriam causar reflexões em quem assiste. Claro que sob a ameaça de perder milhões de vidas em decorrência das explosões justificaria qualquer tipo de atitude para evitar o desastre, mas presenciar essas atitudes "impensáveis" é de dar nó no estômago e revoltar por escancarar como o ser humano pode ser brutal se assim quiser.

Um filme forte e com uma atuação exuberante de Michael Sheen.

Nota: 8 (muito bom)

Trailer

sábado, 18 de setembro de 2010

A Estrada

The Road (2009)


Direção: John Hillcoat. Com Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall, Guy Pierce e Michael K. Williams.

Sinopse: Após a Terra sofrer um evento cataclísmico, um pai e seu filho erram pelo mundo na interminável busca por alimento, roupas e evitando os outros humanos que, em sua maioria, tornaram-se piores que animais famintos e insensíveis, chegando ao ponto de exercer o canibalismo para sobreviver.


Você pode estar pensando: "Ora, mais um filme sobre o fim do mundo! Será que Hollywood não se cansa?" - Calma amigos, antes de chegarem a qualquer conclusão, leiam a resenha abaixo!

O roteiro desse filme foi escrito em cima do best seller de Cormac McCarty que lhe rendeu o prêmio Pulitzer. Cabe lembrar também que ele foi o autor do livro em que foi baseado o filme nota 10 'Onde os Fracos não tem Vez', dirigido pelos irmãos Cohen e interpretado com maestria por Javier Barden. Só por isso, já valeria a pena dar uma chance para esse filme.

Na verdade, a história é sobre o amor entre um pai e seu filho, e o cenário apocalíptico nada mais é do que uma maneira extrema de possibilitar a expressão desse amor. O pai (Mortensen) tem que prover a subsistência e a segurança de seu filho (McPhee) no pior contexto possível. Tanto é que pouco importa qual foi o incidente que acabou com praticamente toda a vida na Terra (provavelmente alguma besteira feita pelos próprios humanos).

O objetivo deles é chegar ao sul dos EUA, não porque lá há algum refúgio, resquício de civilização ou outro clichê do tipo, mas sim por ser um local de clima menos severo, no qual teriam chances melhores para sobreviver.

O filme não tem interesse em ser movimentado ou cheio de explosões e violência, visa quase totalmente mostrar o que a dupla de protagonistas têm por dentro, seu sentido de humanidade e o carinho mútuo que nutrem, ao ponto de se matarem para evitar serem pegos por outras pessoas, que para sobreviver tornaram-se até canibais.


O caminho dos dois é uma busca incessante por comida e abrigo. Para isso verificam as residências em ruínas, automóveis, supermercados, etc. Estes também são seus refúgios para passarem as gélidas noites.

Destaco as interpretações de Mortensen e McPhee que são comoventes e convincentes, assim como as de Duvall e Pierce, embora sejam apenas pontas. Charlize Theron (a mãe), também está ótima, porém a fraqueza de espírito e covardia de sua personagem me revoltaram.

O ladrão
Achei a mensagem do filme muito forte e relevante, o certo e o errado são discutíveis em diversos momentos. O drama é sensível e verdadeiro. A cena em que o pai pune um ladrão (Michael K. Williams) que rouba suas parcas coisas é tão emotiva que me levou às lágrimas e nos faz questionar quais são as medidas corretas a se tomar em situações extremas. Um filme rico no texto e nas interpretações, porém pobre na ação e no entretenimento - o saldo para mim é de um ótimo trabalho, um dos melhores que vi nesse ano.

Nota: 8 (muito bom, quase excelente)

Trailer

sábado, 11 de setembro de 2010

Sede de Sangue


Bakjwi (2009)


Direção: Chan-wook Park. Com Kang-ho Song, Ok-vin Kim, Hae-suk Kim, Ha-kyum Shin e In-hwan Park.

Sinopse: Padre (Park) se oferece como voluntário para cuidar das pessoas de uma comunidade que está em quarentena contaminada por um vírus letal. Apesar de tomar todos os cuidados, acaba infectado e morre. Milagrosamente retorna à vida e é tratado como santo, só que sua ressurreição lhe trouxe surpresas: um desejo incontrolável por sangue e luxúria.


Aviso: este texto contém spoilers

É, a febre do vampirismo chegou até a Coreia. Costumo ignorar esses filmes calçados em modinhas, geralmente pouca coisa se salva, mas fiquei interessado neste em particular. O principal motivo foi o fato de ter sido realizado pelo excelente diretor (um dos melhores da atualidade) Chan-wook Park. Para quem não o conhece, seus trabalhos que servem como referência são os filmes da "trilogia da vingança" (Mr. Vingança, Lady Vingança e a obra-prima Oldboy).

O filme narra a história do padre Sang-hyeon (Park), um camarada de boa índole que resolve se envolver no tratamento de uma estranha doença que tem afetado os membros de uma comunidade. Contaminado pela enfermidade falece, mas antes recebe acidentalmente uma transfusão de sangue contaminado. Revive como um vampiro sedento de sangue e de sexo.

Ao voltar para seu monastério, a população local, ciente do retorno à vida miraculoso do padre, passa a tratá-lo como santo e solicitar sua visita aos doentes para realizar curas prodigiosas. Em uma dessas andanças, reencontra uma família que havia convivido durante sua infância e as amizades são retomadas. Nesse meio tempo, começa a perceber mudanças como super-sentidos, força sobre-humana, aversão à luz solar e um desejo incontrolável sobre a esposa de seu amigo moribundo. A moça, que não suporta sua vida e seu marido, se mostra receptiva ao padre e começa um doentio romance.

Ok-vin Kim
Após saber das características sobrenaturais de seu amante, a moça pede para ser também transformada. Após muita insistência, o padre realiza seu desejo, só que Tae-joo (a moça) não tem muitos escrúpulos e nem uma saúde mental das melhores. Aí começa a matança desenfreada.

A direção de Park é mais um vez excelente, a fotografia idem. O trabalho da atriz Ok-vin Kim (Tae-joo) é impressionante. O que peca mesmo é o roteiro - Park mantém suas características de explorar a imaginação dos personagens, utilizar cenas surreais e não tem medo de chocar o público, mas a história se perde em vários momentos: fica monótona, desnecessária e até caricata. Infelizmente o filme é decepcionante; para mim, foi  um passo atrás na carreira desse ótimo diretor, apesar de ter ganhado o prêmio do juri em Cannes.

Nota: 6 (apenas bom, mas recomendado com muitas reservas)

Trailer:

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Invictus


Invictus (2009)


Direção: Clint Eastwood. Com Morgan Freeman e Matt Damon.

Sinopse: O presidente Nelson Mandela da África do Sul percebe que uma forma eficiente de tentar realizar a unificação racial em seu país é apoiar o time de rugby (um dos maiores símbolos da população branca) que vai disputar a copa do mundo do esporte em casa, mas que não anda com bom retrospecto. Para isso, deverá enfrentar a desconfiança dos brancos e a indignação dos negros, que odeiam a seleção por vinculá-la ao regime do Apartheid. Baseado em fatos reais.

Indicações ao Oscar 2010:  Melhor ator (Morgan Freeman) e melhor ator coadjuvante (Matt Damon).


Atenção, este texto contém spoilers

No início do filme, temos um breve retrospecto da vida de Mandela até o ponto em que ele sai da prisão e é eleito presidente da África do Sul. Vemos alguns brancos decretando o fim do país e a possibilidade de se mudarem - o que alguns poderão julgar como atitudes racistas, eu particularmente vejo essa reação como normal, pois qualquer ser humano, branco ou negro, tem dificuldades para encarar o "novo".

Na sequência, passamos a conviver com o cotidiano do novo presidente, a forma como encara o cargo e as pessoas que o rodeiam: sempre com humildade e consideração. É interessante a cena em que os funcionários brancos do palácio do governo começam a "arrumar as malas" na certeza de que serão substituídos por outros funcionários negros e Mandela, percebendo essa movimentação, convoca todos ao seu gabinete e faz um discurso de que todos que se esforçarem pelo país terão seu lugar garantido, independente da cor da pele.

Paralelo a isso, acompanhamos pela tv e pela boca do povo o péssimo desempenho e a falta de credibilidade dos Springboks, a seleção de rugby, que se vê às portas de uma copa do mundo que será disputada em seu próprio país.

O filme não é uma biografia, tampouco trata da história de Mandela. É um fragmento, um recorte. Tenta passar um pouco da visão de mundo desse importante sujeito. Não faz dos brancos vilões e não pinta um quadro violento de disputas raciais, embora mostre que ela exista. O filme é bonzinho, ou seja, só dá espaço para a bondade de Mandela e das pessoas que são retratadas. Sentimentos ruins são apenas insinuados. Não gosto de filmes assim.

A direção de Clint Eastwood é bela e sensível, fico surpreso por não ter sido indicada ao Oscar. As filmagens dos jogos são belíssimas e o som ambiente nos coloca dentro do estádio (assistir esse filme com um bom home-theater é fundamental!). Entretanto não gostei muito do Mandela de Freeman. Apesar de seu esforço em pegar o sotaque e postura, não consegue se desvencilhar de sua arrogância habitual (saudade da época em que ele era bom ator como em "Conduzindo Miss Daisy", naqueles tempos ele conseguia representar a humildade), e Mandela é a humildade em pessoa, mesmo sem falar nada, só pelo seu semblante. Damon faz um bom trabalho como o capitão do time François Pienaar.

O roteiro é parcial e busca endeusar a figura do protagonista dando-lhe a perfeição de caráter. O fato de um de seus seguranças mencionar que Mandela também é um homem e portanto tem seus defeitos, não é coerente com o que o roteiro mostra.

Mal comparando, prefiro muito mais filmes como "O Último Rei da Escócia", que embrulham o estômago, mas mostram que o bem e o mal não são tão claros assim, do que Invictus e seu faz-de-conta. Por outro lado, não digo que o filme é ruim, é uma ótima pedida para reunir a família para ver que a humanidade também pode ser boa.

Nota: 7 (bom e edificante)

Trailer:

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um Homem Sério


A Serious Man (2009)


Direção: Joel e Ethan Cohen. Com Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick e Aaron Wolff.

Sinopse: Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de física que tem um mundo limitado, mas satisfatório: esposa, filhos, um bom emprego e sua fé. Seu único problema é ter que abrigar o irmão desempregado. De uma hora para outra, uma nuvem de adversidades se abate sobre ele e para resolvê-las, busca as respostas com seus líderes espirituais. Mas ele descobre que em muitos momentos terá que colocar   seus princípios à prova.

Indicações ao Oscar 2010: Melhor filme e melhor roteiro original.


Aviso: esse texto contém spoilers

É sempre com grande satisfação e interesse que pego um filme dos irmãos Cohen para assistir. Suas formas diferenciadas de enxergar o cinema e o sarcasmo típico serviram para contar histórias incríveis como O Grande Lebowsky,  Ajuste Final, Onde os Fracos Não Têm Vez, Matadores de Velhinhas, etc. Aqui, com O Homem Sério, eles resolveram voltar sua artilharia para um mundo que conhecem bem: o dos judeus.
Larry, nosso homem sério, é um cara cheio de valores impostos pela religião e costumes, que é plenamente satisfeito com sua vidinha sem grandes sobressaltos. Só que a vida real não é assim e não existem grandes problemas que não possam ficar ainda maiores.

Inconformado com as "provações" que está passando - a traição da esposa, a separação, filhos que não lhe dão nenhum respeito, difamações no trabalho, o irmão melodramático e fracassado, dificuldades financeiras, etc. - Larry procura aconselhamentos e respostas com os rabinos de sua comunidade. Passa por diversos membros da hierarquia (o que proporciona diálogos hilários), mas não encontra a solução, restando portanto a última esperança: o rabino mais idoso e da mais alta hierarquia, porém, de acesso restrito. Nesse íterim, o mundo à sua volta se despedaça e lhe resta apenas os sonhos "pecaminosos" com a vizinha gostosa e fugas cinematográficas. Mas os irmãos Cohen não permitem que nem nos sonhos Larry seja feliz, pois os desfechos são sempre trágicos.

O filme não tem atores atraentes e famosos, cenas de ação ou clareza explícita de roteiro, por isso acredito que não agradará muitas pessoas, porém as mensagens que ficaram claras para mim são:

1 - Resolva seus problemas pois ninguém irá resolvê-los por você
2 - A religião não leva a nada e não responde nada - faça você mesmo sua vida - faça dos limões uma limonada.
3 - A religião cega e torna as pessoas malucas (conforme a introdução do filme deixa clara).
4 - Por mais princípios que se tenha, a premissa sempre será a auto-preservação, portanto os "homens sérios" são hipócritas.
5 - Se existe Deus, ele não está nem aí com a humanidade (como deixa claro o final do filme).

Evidentemente que isso tudo não são verdades absolutas, apenas pontos de vista, concordemos ou não.

Outra instituição que é sumariamente destruída pelos Cohen é a família: a mulher que trai mesmo sem motivos claros, o irmão doente só incomoda ao invés de causar compaixão, o filho que vive drogado e a filha nervosinha que assalta a carteira do pai, e tudo isso na maior normalidade.


Apesar de ter me divertido com as tiradas do filme (a cena do Bar-Mitzvah é impagável), confesso que ao terminá-lo, fiquei sem ter a certeza do que achei dele, ou seja, se gostei ou não. Após refletir, cheguei à conclusão de que embora esteja abaixo da (alta) média dos filmes dos Cohen, está acima da média da maior parte dos filmes lançados hoje em dia. Portanto, concluo dizendo que o filme é bom.

Nota: 7 (bom, mas um filme abaixo da média dos irmãos Cohen)

P.S. A trilha sonora com Patti Smith é sensacional e a atuação de Stuhlbarg é ótima.

Trailer:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Código de Sangue


44 Inch Chest (2009)


Direção: Malcolm Venville. Com Ray Winstone, Ian McShane, John Hurt, Tom Wilkinson, Stephan Dillane e Joanne Whalley.

Sinopse:  Homem casado e de meia idade descobre que foi traído por sua mulher e, com a ajuda de seus fiéis amigos, prepara uma emboscada para punir o traidor. Após capturar o sujeito, o drama se desenrola sobre qual seria o castigo adequado, mas antes de aplicá-lo o rapaz irá vislumbrar o tamanho do mal que causou.


Primeiramente digo que este filme inglês não é do tipo que agrada a grande maioria acostumada à Hollywood e à sua (na maior parte das vezes) superficialidade. É indicado para aqueles que se interessam por roteiros, independentemente se há ação ou não. Com isso, de modo algum quero dizer que o filme é intelectualizado e de excelente qualidade e nem que o texto seja um primor, apenas que ele é orientado a um determinado e  pequeno tipo de público. Isso posto, discorro agora minha opinião sobre o filme.

Recheado de ótimos atores europeus que eventualmente aparecem em papeis secundários nos blockbusters, pelo menos as boas atuações estão garantidas.

O roteiro não é linear, mas apresenta a história da seguinte forma: Colin Diamond (Ray Winstone) é um cara bem sucedido e bem casado que um dia, ao chegar em casa, recebe a revelação de sua esposa (Joanne Whalley) de que ela tem um amante e que o casamento deles acabou faz tempo. Surpreso e com flores e chocolates nas mãos, inicia um embate muito bem arquitetado que reflete a realidade de inúmeros casamentos da vida real. Estupefato, ele indaga quais os problemas conjugais que ela tinha para justificar tal ato e sem receber respostas convincentes passa do drama à violência inquirindo qual o nome do sujeito. De posse do nome, entra em contato com seus amigos para salvarem a honra do traído à custa do traidor e um complexo diagrama de personalidades é formado.

Joanne e McShane

Apesar de desconhecermos as profissões dos envolvidos, sabemos seus nomes e vamos conhecendo seus caracteres. Já do traidor, sabemos apenas sua função: garçom, e uma fração de sua personalidade, nem mesmo seu nome conhecemos, reparem aí um interessante contraponto.

O filme não tem ação, quase não tem cenário também. Quase tudo se passa dentro de uma casa abandonada onde levam o garçom para sofrer sua punição. Com tintas de teatro, somos envolvidos por ricos diálogos que vão desde prosas românticas sobre casamento, orgulho ferido e dor insuportável (é interessante ver um homem que espelha o máximo da masculinidade mostrar uma fragilidade além da patética), até discussões regadas a preconceitos, misoginia e homofobia (um dos amigos é gay e apresenta uma personalidade extremamente segura, mais um contraponto interessante). Os diálogos non-sense à lá Tarantino também estão presentes. A realidade sai do prumo em muitos momentos desavisados e somos envolvidos nos delírios do protagonista que tenta explicar em sua mente perturbada as razões e consequências de toda aquela situação.

O tom geral da história é informal, os atores parecem até em momentos de descontraído laboratório. Wilkinson é cabeça-fresca, para ele tudo está bom, apóia qualquer decisão que seu amigo tomar. Hurt é explosivo e machista, quer massacrar os traidores e McShane é simplesmente brilhante. Na verdade, muito mais que suspense, ação ou drama, trata-se de uma comédia de humor-negro, indicada para quem tem estômago.

O que não me agradou foram alguns diálogos (para mim) piegas, o título em português que não tem nada a ver e a canastrice de Ray "Beowulf"Winstone. Com essas ressalvas, recomendo!

Nota: 6 (Bom, mas recomendado com ressalvas).

Trailer:

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Lobisomem


The Wolfman (2010)


Direção:Joe Johnston. Com Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt e Hugo Weaving

Sinopse: O ator Lawrence Talbot (Benicio Del Toro) recebe a visita de sua futura cunhada Gwen (Emily Blunt), que informa do desaparecimento de seu noivo e pede ajuda para tentar encontrá-lo. Ao retornar à sua cidade natal, reencontra seu irmão brutalmente assassinado pelo que parece ser um animal selvagem e vai a uma busca obstinada para descobrir quem ou o que matou seu irmão. Desse modo, entra em contato com os supersticiosos cidadãos da pequena cidade, seres míticos e ao mesmo tempo, lida com os traumas da infância que o obrigaram a sair daquele lugar há anos atrás na intenção de nunca mais voltar.


Estamos na "febre do remake", vários foram feitos nos últimos tempos. Até agora todos os que vi foram ruins. Já com esse pré-conceito, assisti esse O Lobisomem, um remake do clássico do terror de 1941.

Como a intenção dos realizadores foi procurar ser fiel ao original, apenas atualizando as técnicas de filmagem, O Lobisomem, de terror quase não tem nada, afinal, o filme de 41 visto hoje, não daria medo em ninguém, porém, temos bastante suspense, ação e uma história simples, mas muito bem construída.

Anthony Hopkins faz um velho aventureiro e caçador, de coração duro, que recebe seu filho de volta anos depois, sem demonstrar muito entusiasmo. Há várias cenas deliciosas em que duelam verbalmente, deixando clara uma certa rivalidade entre eles. A atuação é boa, mas tratando-se de Hopkins, deixou um pouco à desejar.

Benício está ótimo mais uma vez. Seu personagem é multifacetado e ele o incorpora à perfeição, sem nenhum tipo de exagero dramático. Já Emily Blunt não transpareceu para mim a sofrida noivinha, que vive chorando pelos cantos - sempre que olhava para ela, dava vontade de rir, não sei, ela é naturalmente engraçada, não convenceu nesse drama. Aliás, acho que ela e sua personagem centralizam as falhas que o roteiro apresenta: não há tempo hábil para que a dedicada e apaixonada noiva saia do luto e passe a direcionar seu coração a outra pessoa com enorme devoção. Na minha opinião, os problemas param por aí.

Apesar de muitos filmes de monstros caírem na bobagem, esse é levado à sério e o roteiro explora tramas de cunho psicológico fazendo uso de várias metáforas. A ambientação sombria e o uso moderado dos (bons) efeitos especiais dão um clima espetacular.

Guardadas as devidas proporções, achei esse filme quase no nível de Drácula de Bram Stoker, se já não fosse um clássico de seu gênero (o Lobisomem original de 1941), diria que esse teria grande potencial de se tornar um. Grande filme!


Nota: 8 (muito bom)

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