terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Canção Mais Valiosa do Mundo!


Todos sabemos que a música é mais tratada como um bem comercial do que como uma forma de arte, ou como diriam alguns é "arte comercial". Diante das normas do capitalismo, virtualmente tudo pode ser comercializado. As coisas são de quem consumir, ou seja, comprar.

No mundo musical, há os que defendem que as obras têm que vender, depois a tornaremos arte. Outros pensam que a música é arte, mas que se render dividendos, melhor. Um terceiro grupo mais radical, acha que música é arte, vem da alma, e que se gera lucro ou não é irrelevante.

No meio dessa questão, podemos refletir sobre a ideia dos direitos autorais - você compõe uma música e ela é sua propriedade, se alguém a usar, com fins comerciais ou não, terá que lhe pagar. Há aqueles que acham isso um absurdo, a arte é da humanidade, seu uso deveria ser para engrandecer quem a pratica ou a admira ou até à espécie humana como um todo. Outros acreditam que é um bem individual, no caso de seus autores; a capacidade individual a gerou e o uso por terceiros seria uma expropriação indevida, a não ser que esse mesmo autor aceite uma espécie de indenização por ter o fruto de sua mente usado pela coletividade - o famoso direito autoral. Por fim, existem aqueles que acham que a propriedade do produto música deve ser de quem o comprar, ou pagar mais. Apesar de soar absurdo, mesmo o comprador não sendo o autor da música, recebe os "direitos autorais" toda vez que a obra é executada. 

...E na sua opinião? Como você enxerga esta questão?

Para auxiliar na sua reflexão, reproduzo abaixo um trecho do livro "Música, Cérebro & Êxtase", de Robert Jourdain - o autor escreveu esse trecho em cima de uma matéria publicada no jornal Los Angeles Times - edição de 15 de agosto de 1985, página 1. (é bem provável que ele tenha pago pelos direitos autorais)

O ano era 1985 e Paul McCartney queria suas canções de volta (N.R. eram propriedade da gravadora). Como tantos jovens músicos que batalhavam naquele período, os Beatles assinaram seus primeiros contratos que os deixaram quase prisioneiros da gravadoras, e McCartney perdera a posse de muitas das melodias nascidas do seu coração. Naquele momento, 251 canções dos Beatles faziam parte de um lote em hasta pública, inclusive favoritas como 'Help' e 'Let It Be', e seriam vendidas juntamente com um vasto conjunto de 40 mil melodias, na maioria obscuras, mas algumas delas de grandes nomes, como Little Richard e Pointer Sisters. A empresa de McCartney, MPL Communications, logo entrou numa guerra de lances com vários rivais, e o preço foi aumentando. Frenéticos esforços foram feitos para levantar dinheiro suficiente e permanecer na disputa. Mas tudo sem resultado. No final, um único indivíduo abocanhou o catálogo inteiro, desembolsando uma soma próxima de 50 milhões de dólares. Nome do comprador: Michael Jackson.
Compradas por uma bagatela? Alguns achariam que sim. Uma  música popular pode render uma fortuna em direitos autorais [como McCartney devia saber muito bem, pois ele próprio adquirira os direitos de modelos de pieguice como 'Sentimental Journey' e 'Autumn Leaves' (N.R. a primeira foi hit em 1945 na voz de Doris Day e a segunda é uma versão do original francês "Les feiules mortes", a letra em inglês é de Johnny Mercer e fez muito sucesso principalmente nas vozes de Edith Piaf e Nat King Cole)]. Todas as vezes que uma música popular é tocada num evento público, no rádio, ou degradada como música ambiente, o dinheiro vai pingando através de um rio de agentes, até chegar ao dono da canção. Nenhuma melodia é tão lucrativa quanto aquela que parece não pertencer a ninguém. A canção mais valiosa do mundo é Happy Birthday to You.
Claro que o texto é tendencioso, mas tenho certeza que você meu amigo leitor, tem ótimo discernimento e senso crítico para emitir uma opinião própria e embasada. Compartilhe-a conosco!

AFINAL, O QUE VOCÊ PENSA SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS NA MÚSICA?

Fique a vontade nos comentários, sua opinião seja ela qual for, é muito bem-vinda!

2 comentários:

Amadeu Paes disse...

E ai Rodrigo!

Você anda levantando uns temas mui polemicos ultimamente, mas vamos lá:

Antes da industria fonográfica, ninguém falava de direitos autorais (comerciais), o sujeito fazia uma música e era passada de pessoa a pessoa, sem ônus nenhum.

Depois os americanos pegaram esta industria cultural (vale para cinema e literatura tmb) e começaram a ganhar $$$ em cima, muitos dos primeiros artistas mal ganhavam para comer. (Veja a história dos 3 patetas que só ficaram "ricos", depois que morreram). Enfim no meio cultural, antes dos anos 80, quem ganhava dinheiro eram os "empresarios", basta ler a reportagem acima.

Não é justo não ganhar pela obra, pois para se compor uma obra o cidadão dispende de um tempo, então é justo a sua renumeração, o que talvez seja injusto é o valor exorbitante, mas neste mundo de consumismo desenfreado, quem é que pode reclamar? Se tem quem pague, problema de quem paga.

Como eu disse anteriormente é justo o direito autoral e é justo usá-lo como mercadoria, quem quiser pagar ou vender que pague e venda, o que não pode é ficar choramingando depois.

Vendeu mal se deu mal, Este é o capitalismo.

Rodrigo Nogueira disse...

Olá Amadeu!

Valeu por compartilhar sua opinião!

Entendo seu ponto de vista e ele está muito bem argumentado.

Confesso que não tenho uma opinião formada sobre o tema e os elementos que você trouxe aqui servem para colocar mais alguns tijolos no meu pensamento.

Obrigado amigo!

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