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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Os Melhores Filmes Postados no Blog em 2010!

Cena de "Cinema Paradiso"
Estamos no final do ano - época de festas, férias e das famosas listas!

No ano passado elegi os 15 melhores e os 15 piores filmes que assisti, para relembrar a relação, clique no link abaixo:

Para este ano, trago uma ideia diferente: vou listar a relação com os 10 melhores e os 10 piores filmes postados no blog, ou seja, não se trata de todos os filmes que vi, apenas os que postei no blog no decorrer do ano de 2010.

Legenda
10 - Obra-prima
9 - Excelente
- Muito bom
- Bom
- Bom, mas recomendado com reservas
5 - Razoável
4 - Mau, mas com alguns méritos
3 - Mau
- Muito mau
- Horrível
0 - Lixo



Números do blog (2010)

  • 53 filmes postados, sendo
    • 1 com nota 10
    • 1 com nota 9
    • 8 com nota 8
    • 13 com nota 7
    • 5 com nota 6
    • 10 com nota 5
    • 6 com nota 4
    • 5 com nota 3
    • 2 com nota 2
    • 2 com nota 1

Caso o leitor queira saber mais sobre o filme relacionado, incluo um link para a postagem original aqui no blog, com direito a resenha e trailer (na maioria deles).

Se você quiser deixar sua opinião sobre as listas ou sobre algum filme em particular, fique a vontade para utilizar o espaço para os comentários, aliás, sua opinião é muito bem-vinda!

OS 10 MELHORES
10º LUGAR:
Amor Sem Escalas
Nota 8 - Link
9º LUGAR:
A Caixa
Nota 8 - Link
8º LUGAR:
Machete
Nota 8 - Link
7º LUGAR:
O Lobisomem
Nota 8 - Link
6º LUGAR:
(500) Dias com ela
Nota 8 - Link
5º LUGAR:
A Ilha do Medo
Nota 8 - Link
4º LUGAR:
Ameaça Terrorista
Nota 8 - Link
3º LUGAR:
A Estrada
Nota 8 - Link
2º LUGAR:
O Segredo dos seus Olhos
Nota 9 - Link
1º LUGAR:
A Origem

sábado, 9 de outubro de 2010

Machete

Machete (2010)


Direção: Ethan Maniquis e Robert Rodriguez. Com Danny Trejo, Michelle Rodriguez, Jessica Alba, Robert De Niro, Lindsey Lohan, Cheech Marin, Jeff Fahey, Steven Seagal e Don Johnson.

Sinopse: Depois de perder a família assassinada por um líder da contravenção, o policial mexicano conhecido como Machete, desiste da carreira e torna-se um imigrante ilegal nos Estados Unidos. Lá se envolve em um complô que visa re-eleger um senador xenófobo, acaba traído e jura vingança!


Danny Trejo e seu Machete é um personagem recorrente nos filmes de Robert Rodriguez (Pequenos Espiões, Planeta Terror, Um Drink no Inferno). O cara é feio, é mau e é muito engraçado! Machete foi, a princípio, apenas um trailer fake que abria o filme Planeta Terror, e o trailer ficou tão bom que mobilizou uma grande massa de fãs para que ele virasse uma realidade. 

Deus tem piedade. eu não tenho!
A violência no cinema atualmente é tão explícita que pouca coisa ainda choca o telespectador. Esse filme faz piada com essa estética de brutalidade e não economiza em sangue jorrando e cabeças rolando. Aliás, abusa na criatividade para tornar as mortes cada vez mais impactantes e surreais, como utilizar o intestino delgado de um bandido como corda para pular pela janela de um prédio para descer de andar.

O elenco é o pior possível, é tão ruim que fica ótimo! Danny Trejo é tão feio e canastrão que em todas as cenas em que vira seu rosto lentamente para a câmera, mostrando sua cara de psicopata alucinado, me fez rolar no sofá de tanto rir. Jessica Alba faz uma agente da imigração, que ironicamente é mexicana, apesar de se mostrar durona, é o elo frágil do filme e se torna amante e parceira de pancadaria do nosso heroi Machete. Michelle Rodriguez, que em todos os filmes que atua está sempre com aquela cara insuportável de "vou torcer seu pescoço", aqui faz uma super-heroína chamada de She que xinga todo mundo, toma tiro no olho e ainda assim sai viva para encher os bandidos de bordoadas. Robert De Niro, que foi um dos melhores atores de sua geração, parece que nos últimos anos deixou de levar o cinema a sério e anda péssimo, o que cai como uma luva para o senador que gosta de praticar tiro ao alvo com imigrantes mexicanos ilegais na fronteira estadunidense. Steve Seagall é um dos piores atores de todos os tempos e seu vilão, o traficante e maior inimigo de Machete, Torrez, anda para cima e para baixo com uma espada japonesa (?!), chama todo mundo de "puñeta" e quando tira a espada da bainha, entra a música característica do seriado "A Mulher Biônica" (hilário). Lindsey Lohan aparece quase sempre pelada e drogada, no final, parece que atinge o nirvana, vira guerrilheira vestida de freira que tira da batina um monte de armas enormes e sofisticadas.

Machete é o cara! Imortal, invencível com qualquer arma (usa até ferramentas de jardinagem para arrebentar a turma), pega todas as gatas do filme e usa várias frases de impacto legais. O filme é um clichê atrás do outro, feitos propositalmente para tirar sarro dos filmes de ação B típicos das décadas de 70 e 80; explosões sem fundamento, cenas de ação inverossímeis, enfim, tudo muito divertido. Até a trilha sonora teve um cuidado especial, por exemplo, as cenas em que nosso herói vai "fazer o serviço" com as gatas, entra uma música de filme pornô setentista, tipo Garganta Profunda.

Apesar de toda a brincadeira, o filme aborda um assunto muito sério que é a xenofobia estadunidense. Mostra - com um certo exagero, é claro - como são tratadas as pessoas que vem de outros países para tentar a sorte nos EUA.

Não recomendo este filme para todos, apenas para quem consegue apreciar esse tipo de humor negro. Eu me diverti à beça! 

Nota: 8 (a melhor comédia que vi este ano!) - Estreia no cinema dia 15/10/2010

Trailer: (coloquei dublado que é mais engraçado - muito tosco!) Cuidado para não mexer com o mexicano errado!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um Homem Sério


A Serious Man (2009)


Direção: Joel e Ethan Cohen. Com Michael Stuhlbarg, Richard Kind, Fred Melamed, Sari Lennick e Aaron Wolff.

Sinopse: Larry Gopnik (Michael Stuhlbarg) é um professor de física que tem um mundo limitado, mas satisfatório: esposa, filhos, um bom emprego e sua fé. Seu único problema é ter que abrigar o irmão desempregado. De uma hora para outra, uma nuvem de adversidades se abate sobre ele e para resolvê-las, busca as respostas com seus líderes espirituais. Mas ele descobre que em muitos momentos terá que colocar   seus princípios à prova.

Indicações ao Oscar 2010: Melhor filme e melhor roteiro original.


Aviso: esse texto contém spoilers

É sempre com grande satisfação e interesse que pego um filme dos irmãos Cohen para assistir. Suas formas diferenciadas de enxergar o cinema e o sarcasmo típico serviram para contar histórias incríveis como O Grande Lebowsky,  Ajuste Final, Onde os Fracos Não Têm Vez, Matadores de Velhinhas, etc. Aqui, com O Homem Sério, eles resolveram voltar sua artilharia para um mundo que conhecem bem: o dos judeus.
Larry, nosso homem sério, é um cara cheio de valores impostos pela religião e costumes, que é plenamente satisfeito com sua vidinha sem grandes sobressaltos. Só que a vida real não é assim e não existem grandes problemas que não possam ficar ainda maiores.

Inconformado com as "provações" que está passando - a traição da esposa, a separação, filhos que não lhe dão nenhum respeito, difamações no trabalho, o irmão melodramático e fracassado, dificuldades financeiras, etc. - Larry procura aconselhamentos e respostas com os rabinos de sua comunidade. Passa por diversos membros da hierarquia (o que proporciona diálogos hilários), mas não encontra a solução, restando portanto a última esperança: o rabino mais idoso e da mais alta hierarquia, porém, de acesso restrito. Nesse íterim, o mundo à sua volta se despedaça e lhe resta apenas os sonhos "pecaminosos" com a vizinha gostosa e fugas cinematográficas. Mas os irmãos Cohen não permitem que nem nos sonhos Larry seja feliz, pois os desfechos são sempre trágicos.

O filme não tem atores atraentes e famosos, cenas de ação ou clareza explícita de roteiro, por isso acredito que não agradará muitas pessoas, porém as mensagens que ficaram claras para mim são:

1 - Resolva seus problemas pois ninguém irá resolvê-los por você
2 - A religião não leva a nada e não responde nada - faça você mesmo sua vida - faça dos limões uma limonada.
3 - A religião cega e torna as pessoas malucas (conforme a introdução do filme deixa clara).
4 - Por mais princípios que se tenha, a premissa sempre será a auto-preservação, portanto os "homens sérios" são hipócritas.
5 - Se existe Deus, ele não está nem aí com a humanidade (como deixa claro o final do filme).

Evidentemente que isso tudo não são verdades absolutas, apenas pontos de vista, concordemos ou não.

Outra instituição que é sumariamente destruída pelos Cohen é a família: a mulher que trai mesmo sem motivos claros, o irmão doente só incomoda ao invés de causar compaixão, o filho que vive drogado e a filha nervosinha que assalta a carteira do pai, e tudo isso na maior normalidade.


Apesar de ter me divertido com as tiradas do filme (a cena do Bar-Mitzvah é impagável), confesso que ao terminá-lo, fiquei sem ter a certeza do que achei dele, ou seja, se gostei ou não. Após refletir, cheguei à conclusão de que embora esteja abaixo da (alta) média dos filmes dos Cohen, está acima da média da maior parte dos filmes lançados hoje em dia. Portanto, concluo dizendo que o filme é bom.

Nota: 7 (bom, mas um filme abaixo da média dos irmãos Cohen)

P.S. A trilha sonora com Patti Smith é sensacional e a atuação de Stuhlbarg é ótima.

Trailer:

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Código de Sangue


44 Inch Chest (2009)


Direção: Malcolm Venville. Com Ray Winstone, Ian McShane, John Hurt, Tom Wilkinson, Stephan Dillane e Joanne Whalley.

Sinopse:  Homem casado e de meia idade descobre que foi traído por sua mulher e, com a ajuda de seus fiéis amigos, prepara uma emboscada para punir o traidor. Após capturar o sujeito, o drama se desenrola sobre qual seria o castigo adequado, mas antes de aplicá-lo o rapaz irá vislumbrar o tamanho do mal que causou.


Primeiramente digo que este filme inglês não é do tipo que agrada a grande maioria acostumada à Hollywood e à sua (na maior parte das vezes) superficialidade. É indicado para aqueles que se interessam por roteiros, independentemente se há ação ou não. Com isso, de modo algum quero dizer que o filme é intelectualizado e de excelente qualidade e nem que o texto seja um primor, apenas que ele é orientado a um determinado e  pequeno tipo de público. Isso posto, discorro agora minha opinião sobre o filme.

Recheado de ótimos atores europeus que eventualmente aparecem em papeis secundários nos blockbusters, pelo menos as boas atuações estão garantidas.

O roteiro não é linear, mas apresenta a história da seguinte forma: Colin Diamond (Ray Winstone) é um cara bem sucedido e bem casado que um dia, ao chegar em casa, recebe a revelação de sua esposa (Joanne Whalley) de que ela tem um amante e que o casamento deles acabou faz tempo. Surpreso e com flores e chocolates nas mãos, inicia um embate muito bem arquitetado que reflete a realidade de inúmeros casamentos da vida real. Estupefato, ele indaga quais os problemas conjugais que ela tinha para justificar tal ato e sem receber respostas convincentes passa do drama à violência inquirindo qual o nome do sujeito. De posse do nome, entra em contato com seus amigos para salvarem a honra do traído à custa do traidor e um complexo diagrama de personalidades é formado.

Joanne e McShane

Apesar de desconhecermos as profissões dos envolvidos, sabemos seus nomes e vamos conhecendo seus caracteres. Já do traidor, sabemos apenas sua função: garçom, e uma fração de sua personalidade, nem mesmo seu nome conhecemos, reparem aí um interessante contraponto.

O filme não tem ação, quase não tem cenário também. Quase tudo se passa dentro de uma casa abandonada onde levam o garçom para sofrer sua punição. Com tintas de teatro, somos envolvidos por ricos diálogos que vão desde prosas românticas sobre casamento, orgulho ferido e dor insuportável (é interessante ver um homem que espelha o máximo da masculinidade mostrar uma fragilidade além da patética), até discussões regadas a preconceitos, misoginia e homofobia (um dos amigos é gay e apresenta uma personalidade extremamente segura, mais um contraponto interessante). Os diálogos non-sense à lá Tarantino também estão presentes. A realidade sai do prumo em muitos momentos desavisados e somos envolvidos nos delírios do protagonista que tenta explicar em sua mente perturbada as razões e consequências de toda aquela situação.

O tom geral da história é informal, os atores parecem até em momentos de descontraído laboratório. Wilkinson é cabeça-fresca, para ele tudo está bom, apóia qualquer decisão que seu amigo tomar. Hurt é explosivo e machista, quer massacrar os traidores e McShane é simplesmente brilhante. Na verdade, muito mais que suspense, ação ou drama, trata-se de uma comédia de humor-negro, indicada para quem tem estômago.

O que não me agradou foram alguns diálogos (para mim) piegas, o título em português que não tem nada a ver e a canastrice de Ray "Beowulf"Winstone. Com essas ressalvas, recomendo!

Nota: 6 (Bom, mas recomendado com ressalvas).

Trailer:

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Homens que Encaravam Cabras


The Men who Stare at Goats (2009)

Direção: Grant Heslov. Com George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey.


Sinopse: Jornalista frustrado, após perder a mulher para o chefe, resolve se alistar como correspondente na guerra do Iraque. Lá dá de cara com indivíduos de uma divisão secreta do exército estadunidense, que aplica técnicas extravagantes como "poder da mente" e outras maluquices.




Apesar de não estrelar em um bom filme há tempos, (ainda não assisti 'Phillip Morris') gosto de Ewan McGregor . Seu Renton, em 'Trainspotting' me marcou profundamente. Outro ator que sou fã incondicional é Kevin Spacey. Além dos dois, esse filme conta com o ótimo Jeff Bridges, que aqui quase revive seu engraçadíssimo Lebowski, e o competente George Clooney. Mesmo com esse título estranho, nem quis saber do que se tratava o filme, tinha que ver e pronto.

Essa comédia não é daquelas do tipo pastelão, não trás atores fazendo caretas em close, nem escatologias, é uma sátira, principalmente do poderoso e temido exército estadunidense.

Nos anos sessenta surgiu a lenda de que o exécito daquele país estava investindo em soldados que aparentemente tinham habilidades paranormais, para criar uma divisão especial - para mim, invencionisse de algum nerd desocupado. O roteiro explora essa ideia incluindo doutrina hippie, alucinógenos, auto-sujestões e outas babozeiras.

Tudo começa com um panorama rápido da vida do jornalista Bob Wilton (McGregor), perseguição no trabalho, fracasso na vida conjugal e baixa auto-estima. Após ser deixado pela mulher, resolve provar para todos e para si mesmo que é um cara competente e sumir de seu mundo arrasado - vai para a guerra como correspondente. Só que, chegando lá não é mandado para cubrir a ação e a frustração cresce. Porém, por puro acaso, acaba encontrando Lyn Cassady (Clooney), de quem já ouvira falar quando foi entrevistar um cartomante em uma cidade qualquer do interior. Tratava-se do maior medium do exército, aquele que conseguia assassinar cabras só com o olhar.

Com uma certa relutância, Lyn acaba levando Bob em sua "missão secreta" e claro, se metem em grandes confusões onde os "poderes" de Lyn são postos à prova.

A história gira em torno dos fatos do presente e vários divertidos flashbacks que mostram como Lyn ingressou no exército e como era o treinamento na divisão paranormal, onde não por mero acaso, seus integrantes eram chamados de Jedis. O líder dos Jedis era Bill Django (Bridges), oficial do exército que sofreu um trauma na guerra do Vietnã e quis inovar as táticas recorrendo à novas culturas (hippie e oriental). Conseguiu apoio do governou e montou e treinou sua divisão. Kevin Spacey surge mais adiante interpretando um Jedi com ideias diferentes de seu líder e rival de Lyn.

Ao final do filme, fiquei entusiasmado com as palhaçadas feitas com o exército e achei muito válida a experiência. Claro que ele é sem-noção e nem um pouco sério, tendo isso em mente, acho que o amigo leitor se divertirá bastante ao ver esse filme.

Nota: 7 (bom)

Trailer:

sexta-feira, 25 de junho de 2010

O Fantástico Sr. Raposo


The Fantastic Mr. Fox (2009)


Direção: Wes Anderson. Com George Clooney, Meryl Streep, Jason Schwartzman, Bill Murray, Michael Gambon, Willen Defoe eOwen Wilson (vozes).

Sinopse: Senhor Raposo sente falta dos tempos "selvagens" da juventude e busca uma última aventura para quebrar a rotina de "raposa de família" em que se encontra. Só que suas atitudes colocarão em risco toda a existência da comunidade animal da qual faz parte.

Indicações ao Oscar: Melhor animação e melhor trilha sonora original.

Atenção: este artigo e os comentários podem conter spoilers!


Filmado com a antiga técnica de animação stop-motion e visual retrô. Essa animação é uma excelente pedida  para curtir em família.

O sr. Raposo (George Clooney) e sua esposa Felicity (Meryl Streep), além de namorados, eram companheiros nos assaltos aos galinheiros alheios nos velhos tempos. Quando um dia a coisa dá muito errado, e sr. Raposo descobre que será pai, ele promete a Felicity que nunca mais entraria em arriscadas aventuras e se tornaria um respeitável pai de família. Só que seus instintos falam mais alto e ele não resiste à tentação de invadir as três fazendas vizinhas de sua residência, que tem os proprietários humanos mais cruéis da cidade. Ele é bem sucedido na empreitada, mas a retaliação dos fazendeiros é feroz e coloca em risco a sobrevivência, não só da família Raposo, mas de toda a comunidade de animais que a cerca. Paralelo a isso tudo, tem que lidar com as crises existenciais de seu filho.

Acho que a humanização de animais para se contar uma história, pode servir para ensinar conceitos importantes para a criançada, porém, para os adultos torna-se uma coisa enfadonha. O Fantástico Sr. Raposo quebra um pouco essa questão por trazer problemáticas dos mundos adolescente e adulto, de modo a provocar a reflexão sobre situações do dia-a-dia e colocar em xeque os relacionamentos sociais que seguem o "padrão de bom comportamento".

A turma pronta para enfrentar os humanos malvados
Os animais (incluídos os humanos) são guiados primariamente por instintos, no caso das raposas, o instinto caçador. Privar o indivíduo desses instintos para facilitar o convívio em sociedade ou pelo motivo que for, muitas vezes traz por consequências a insatisfação, a infelicidade e a busca "pelo que falta", que geralmente é substituído por alguma religião (crença), vício ou algum tipo de obsessão. No caso do sr. Raposo, ele simplesmente e inconsequentemente dá vazão a esses instintos que acabam entrando em conflito com o status quo, levando a ele e toda a sociedade ao seu redor à beira do colapso. Normalmente quando um ser humano toma atitude semelhante, acaba preso por ir contra as leis - o que nos trás o dilema: ser natural e um pária ou ser racional, possibilitando o convívio social e uma provável infelicidade como ônus?

Pelo lado adolescente, aquelas crises existenciais, as comparações com os pais e outros adolescentes próximos, a carência de atenção e reconhecimento dos adultos, etc. O filho do casal Raposo, Ash, demonstra todos esses clichês. Muitos jovens que assistirem esse filme certamente se identificarão com o personagem, que no final acaba mostrando seu valor (outro clichê). Porém, muitas vezes na vida real, não acontece esse tipo de desfecho, transformando jovens problemáticos em adultos problemáticos que infestam as clínicas psiquiátricas e tomam toda sorte de remédios psicotrópicos para "entrarem nos eixos".

Kyle catatônico
Filosofias e psicanálises à parte, o filme entretém, ensina e enche os olhos com a quantidade de cores e objetos de cena presentes. George Clooney está perfeito como um senhor Raposo cheio de si, que não ouve ninguém e acaba enfiando os pés pelas mãos, mas sempre conta com a sorte para sair das enrascadas. Destaco também os ótimos personagens do companheiro de aventuras Kyle (Wallace Wolodarski), que de vez em quando "surta" e fica catatônico,  e o guarda-costas da adega de cidra, Rato (Willem Defoe).

Quanto à indicação ao Oscar 2010 de melhor filme de animação, apesar de ser um bom trabalho, sem dúvida é inferior à Up (que ganhou), mas também à Coraline. Digamos que a concorrência foi boa e recomendo todos os três. Já a trilha sonora está mais para divertida do que para boa, e concordo com a Academia que também deu esse prêmio para a sensível e bem construída trilha de Up.
Nota: 7 (bom)
    Trailer

    sexta-feira, 30 de abril de 2010

    Julie & Julia

    Julie & Julia (2009)

    Direção: Nora Ephron. Com Maryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci e Chris Messina.

    Sinopse: "Baseado em duas histórias reais". Julia Child é a esposa de um adido cultural que está baseado em Paris. Ela procura alguma ocupação e entretenimento e acaba descobrindo seu talento para a culinária. Decide escrever um livro e conta com a ajuda de algumas amigas na empreitada. Julie Powell é uma funcionária pública infeliz com sua vidinha medíocre que encontra no livro de culinária de Julia um incentivo para escrever um blog onde conta suas experiências no preparo de todas as receitas contidas nele. A primeira história se passa na década de 40 e a segunda nos anos 2000.

    Indicação ao Oscar 2010: Melhor atriz: Meryl Streep.

    (Muitos festejaram o reencontro de Meryl Streep com Stanlay Tucci, revivendo O Diabo Veste Prada, só que agora em uma relação mais próxima: marido e mulher; eu faço parte do cânone, porém, também ressalto o reencontro de Meryl Streep com a princesinha Amy Adams, que brilharam no ótimo Dúvida).

    Julie & Julia é um filme leve, sem grandes traumas e que se desenrola em duas épocas distintas. Em uma, Meryl Streep contracena com Stanley Tucci formando um casal curioso - ela altona e ele baixinho -, mas que se amam de forma sublime, eu diria; em outra Amy Adams contracena com Chris Messina (que cara asqueroso! Vê-lo à mesa dá nojo!), formando também um casal de "almas gêmeas", mas ao contrário do primeiro, vemos alguns conflitos.

    Julia Child (Streep) acompanha o marido nas andanças pelo mundo e nunca consegue se fixar em nada até descobrir o gosto pela cozinha, mais especificamente a francesa. Tem que lidar com o preconceito por ser estadunidense e mulher em meio a homens franceses no curso avançado de culinária, mas o preconceito maior vem de uma mulher: a diretora da escola. Com seu jeito amável e meio atrapalhado, consegue conquistar quase todos e faz amizades com duas colegas que estão escrevendo um livro, logo entrando no projeto e impondo naturalmente sua liderança. É obrigada a lidar com decepções quando tenta várias vezes publicar seu livro ou quando começa certa perseguição política ao seu marido, que a obriga a mudar-se de sua querida Paris. Meryl Streep está mais uma vez fantástica na interpretação e foi justíssima sua indicação ao Oscar. Não vi ainda o trabalho de Sandra Bullock (que levou o Oscar), mas adianto que para ter merecido o prêmio deve ter tido uma atuação fenomenal, acima de sua pobre capacidade (duvido!).

    Julie Powell (Adams) é uma escritora frustrada que idolatra Julia e diante de uma vida sem graça como funcionária pública que vive levando desaforo pra casa, resolve fazer algo que gosta: cozinhar utilizando as maravilhosas receitas do livro de Julia Child. Para incentivar o "projeto", resolve montar um blog onde descreve suas experiências culinárias diárias, misturando com situações do cotidiano, criando assim uma espécie de diário. Moradora de uma sobreloja junto com seu marido, a menina passa por alguns maus bocados até perceber que seu blog desperta o interesse de várias pessoas, incluindo jornalistas famosos da área.

    O filme é feito com muita sensibilidade e consegue ser cativante apesar da história ser bem "água-com-açúcar". A diretora mistura as duas crônicas de modo encaixado mostrando várias vezes situações semelhantes enfrentadas pelas duas protagonistas de forma paralela causando risos e comoções de modo eficiente.

    Um aviso, antes de ver o filme, tenha a certeza de estar bem alimentado, pois ele dá uma baita fome com a quantidade de delícias culinárias que invadem a tela. Quase que dá para sentir o gosto ou o cheiro!

    Ótimo para ver com a família.

    Nota: 6,5

    Veja o trailer: aqui!

    sexta-feira, 9 de abril de 2010

    Bons Costumes

    bonscostumes

    Easy Virtue, 2008

    Direção: Stephan Elliott. Com Jessica Biel, Colin Firth, Kristin Scott Thomas e Ben Barnes.

    Sinopse: Jovem se casa por impulso e leva sua esposa para casa, uma mansão no interior da Inglaterra, e o conflito com sua família é iminente.

    bons_costumes

    Contando com um texto refinado, essa comédia de costumes e de época, nos remete às diferenças culturais e choques entre ingleses e estadunidenses, que havia nos primeiros anos do século XX. Também nos mostra uma aristocracia decadente e hipócrita em contraponto a uma vanguarda confiante.

    Jessica Biel jessica-biel interpreta Larita Huntington, uma bela jovem estadunikristin-scott-thomasdense, que leva a vida como piloto de corridas e já tem uma bela ficha corrida em relacionamentos e com a justiça. Ela se casa com John Whittaker (Ben Barnes), vindo de uma família aristocrática e tradicional liderada pela mãe, interpretada por Kristin Scott Thomas . John é espirituoso, inteligente e se encantou com a vivacidade de Larita.

    Como a família Whittaker contava com a conveniente união de John com sua amiga de infância Sarah; receberam com surpresa e decepção a notícia do casamento, portanto a moça não contou com uma hospitalidade muito calorosa, principalmente da matriarca, que apesar da educação elevadíssima, não perde uma chance de dar alfinetadas em sua nora, que, por sua vez, se mostra uma adversária à altura; o embate fica interessantíssimo e muitas vezes engraçado, mas sem cair no ridículo e nem ser declarado.

    Apesar de o humor vir quase sempre do texto, há algumas poucas cenas de comédia pastelão, mas que a meu ver não tiram o brilho do filme.

    Pena o elenco não estar à altura do texto, Jessica Biel brilha nas cenas mais descontraídas e quando mostra o lado mais juvenil da personagem, mas ao mostrar o lado confiante e poderoso, sua interpretação fica pouco satisfatória e toma uma “lavada” de Kristin Scott Thomas que parece que tem esse poder inato. Uma atriz que talvez ficasse perfeita para o papel de Larita, se mais jovem fosse, seria Nicole Kidman. Ben Barnes Ben-Barnes é péssimo, consegue ser mais tolo do que seu pecolin firthrsonagem e suas expressões “dramáticas” são forçadas; sem dúvida a moça é muita areia para o caminhãozinho do rapaz. Colin Firth  faz o sogrão que defende a intrusa no começo só para irritar sua esposa, que, aliás, é o esporte favorito de seu personagem, mas depois o faz por identificação. O senhor Whittaker é um veterano da 1ª Guerra que perdeu o sentido de viver e se arrasta pela casa, indiferente a quase tudo o que acontece ao seu redor. A interpretação de Firth  deixa seu personagem irritante e desnecessariamente efeminado.

    Como toda mansão de cinema que se preze, temos um hilário e formidáKris_Marshallvel mordomo interpretado pelo desconhecido e bom ator Kris Marshall.

    O esperado duelo final entre Larita e Mrs. Whittaker conta com um texto tão bom que é uma pena que dure tão pouco... (não se preocupe, não há bofetadas novelescas, trata-se de trocas de ironias).

    Não posso esquecer de mencionar que trata-se de um remake de um filme de 1928, de Alfred Hitchcock.

    Recomendo, desde que assistido legendado, pois a dublagem trás sérios danos às sutilezas e trocadilhos do roteiro.

    Nota: 6,5

    Veja o trailer:

    sexta-feira, 2 de abril de 2010

    O Desinformante

    poster_O-Desinformante_1

    The Informant, 2009.

    Direção: Steven Soderbergh. Com Matt Damon, Scott Bakula e Melanie Lynskey.

    Sinopse: Uma das maiores indústrias agrícolas dos Estados Unidos sofre investigações do FBI que conta com o auxílio de um de seus maiores executivos. O problema é que esse executivo é ambicioso e trapalhão. Filme baseado em fatos reais.

    Matt-Damon-em-O-Desinformante1 Já nos créditos iniciais do filme, pelo trabalho da câmera e pela trilha sonora de gosto discutível, suspeitamos tratar-se de uma paródia.

    Matt Damon interpreta o executivo nerd Mark Whitacre que dirige super carros esportivos, usa gravatas ridículas (dadas pela mulher), óculos fundo de garrafa e bigodinho cretino. Seu pensamento capitalista obsessivo faz com que tudo que olhe, seja visto do ponto de vista comercial e nós que assistimos o filme, somos inundados dos pensamentos mercantilistas do protagonista (chatíssimos).

    Com o advento de uma investigação do FBI na empresa em que trabalha, Whitacre vê uma oportunidade de ascenção ao colaborar com os federais (??)

    Scott Bakula faz o agente Brian Shepard, que vê na ajuda de Whitacre um trunfo para atingir seus objetivos. O problema é que Whitacre é um sujeito enrolado e enrolão que ajuda e atrapalha, talvez na mesma medida.

    Ao ler essas linhas, você pode suspeitar que o protagonista se revelará um espertalhão que certamente se dará bem no final passando todo mundo para trás. Não, não é nada disso, ele é um idiota mesmo.

    Idiota assim como o filme. A narração é feita pelo personagem de DamoMelanie-Lynskeyn e é quase insuportável passar por dentro de sua mente. Os policiais são mostrados como patetas em muitos momentos e a tentativa do diretor Soderbergh de ser engraçado não tem a menor graça.

    O talento para coméidia de Melanie Lysnkey  (conhecida por participar do bom seriado Two and a Half Men), é desperdiçado no papel de Ginger, a esposa certinha e careta do protagonista.

    O roteiro é chato, a trilha sonora é cansativa, as atuações médias, a direção é fraca e não tem graça nenhuma.

    Veja o trailer:

    Viu o filme? Deixe sua opinião!

    ‘té mais!

    sexta-feira, 19 de março de 2010

    Amor sem Escalas

    amor sem escalas

    Up In The Air (2009)

    Direção: Jason Reitman. Com George Clooney, Vera Farmiga e Anna Kendrick.

    Indicações no Oscar 2010 – Melhor filme, melhor direção, melhor ator, melhor atriz coadjuvante (2 indicadas) e melhor roteiro adaptado.

    Executivo passa a maior parte de sua vida em aeroportos ao redor do mundo. Sua profissão:despedir pessoas. Numa dessas viagens, encontra uma mulher interessante e que tem uma rotina de vida semelhante à dele. Ao mesmo tempo tem que lidar com uma colega novata, mas promissora, que quer revolucionar a profissão.

    amor sem escalas2 Ryan Bingham (George Clooney), é um solteirão convicto que inclusive prega em palestras motivacionais que a felicidade é possível quando não damos muita importância para os problemas dos outros (até de familiares) e nem para itens materiais. Tudo isso são “pesos” que atrasam a vida. Ele é muito feliz em sua profissão de demitir pessoas, principalmente pelo fato de que isso o permite estar sempre em lugares diferentes e passando experiências novas.

    Em uma de suas diversas viagens, encontra Alex (Vera Farmiga). Mulher fascinante que parece ter a mesma filosofia de vida. Imediatamente se identificam e iniciam um relacionamento casual. Com o passar do tempo, Ryan passa a repensar seus conceitos de felicidade.

    Ao mesmo tempo, é obrigado a conviver com Natalie (Anna Kendrik), que tenta revolucionar sua profissão fazendo o trabalho através de vídeo-conferência, o que diminuiria demais as despesas da empresa, pois seus agentes não precisariam mais viajar. Ryan questiona os métodos e seu chefe o obriga então a “ensinar” a novata as manhas da profissão para que ela possa aperfeiçoar seu sistema.

    Comentários sobre as indicações ao Oscar:

    Melhor Filmeamor sem escalas

    Achei o filme muito bom, recomendo que seja assistido, mas não o indicaria ao Oscar. Quem acompanha o blog sabe de minha opinião de que “Guerra ao Terror” também não mereceria, mas se eu apenas comparar estes dois filmes, o segundo é melhor.

     

    Melhor DireçãoJason Reitman arrives at the "Snow Angels" Los Angeles Premiere

    Jason Reitman fez mais um trabalho competente mas não tinha nem chance contra “Guerra ao Terror”. O desempenho de Kathryn Bigelow seria difícil de ser batido esse ano. Para mim é o maior mérito do filme vencedor do Oscar 2010.

    Melhor Atorclooney

    George Clooney esteve bem a maior parte do filme, mas do meio para o final esteve brilhante (principalmente na sensível cena do metrô quando fala com Alex pelo telefone). Não vi (ainda) o filme do Jeff Bridges (que levou o prêmio de melhor ator), mas achei justa a indicação de Clooney. A única atuação que posso comparar das indicadas ao Oscar é a de Jeremy Renner (Guerra ao Terror), pois as outras ainda não vi. Para mim Renner não deu nem para o cheiro com seu “neo-Rambo”.

    Melhor Atriz Coadjuvantevera farmiga

    Vera Farmiga faz uma confiante e sedutora Alex, está belíssima e atraente no filme. Sua atuação é boa mas não achei merecedora nem de indicação.

     

    Anna-Kendrick-

    Anna Kendrick faz seu primeiro bom trabalho, mas também não achei justa sua indicação.

     

     

     

    Melhor Roteiro Adaptado

    Ponto alto do filme. Ainda não vi Preciosa para comparar, mas gostei muito do roteiro. Trás ótimas reflexões. É divertido, profundo e sério em boa medida. Ótimos diálogos, principalmente nas “demissões”, tanto no drama da situação quanto nos depoimentos no final do filme sobre como é possível a superação. Não se preocupem, não é auto-ajuda, o escritor defende de forma magistral um ponto de vista aqui.

     

    Aguardo seus comentários amigos, esse filme dá bastante pano pra manga!

    Veja o trailer:

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