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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Invictus


Invictus (2009)


Direção: Clint Eastwood. Com Morgan Freeman e Matt Damon.

Sinopse: O presidente Nelson Mandela da África do Sul percebe que uma forma eficiente de tentar realizar a unificação racial em seu país é apoiar o time de rugby (um dos maiores símbolos da população branca) que vai disputar a copa do mundo do esporte em casa, mas que não anda com bom retrospecto. Para isso, deverá enfrentar a desconfiança dos brancos e a indignação dos negros, que odeiam a seleção por vinculá-la ao regime do Apartheid. Baseado em fatos reais.

Indicações ao Oscar 2010:  Melhor ator (Morgan Freeman) e melhor ator coadjuvante (Matt Damon).


Atenção, este texto contém spoilers

No início do filme, temos um breve retrospecto da vida de Mandela até o ponto em que ele sai da prisão e é eleito presidente da África do Sul. Vemos alguns brancos decretando o fim do país e a possibilidade de se mudarem - o que alguns poderão julgar como atitudes racistas, eu particularmente vejo essa reação como normal, pois qualquer ser humano, branco ou negro, tem dificuldades para encarar o "novo".

Na sequência, passamos a conviver com o cotidiano do novo presidente, a forma como encara o cargo e as pessoas que o rodeiam: sempre com humildade e consideração. É interessante a cena em que os funcionários brancos do palácio do governo começam a "arrumar as malas" na certeza de que serão substituídos por outros funcionários negros e Mandela, percebendo essa movimentação, convoca todos ao seu gabinete e faz um discurso de que todos que se esforçarem pelo país terão seu lugar garantido, independente da cor da pele.

Paralelo a isso, acompanhamos pela tv e pela boca do povo o péssimo desempenho e a falta de credibilidade dos Springboks, a seleção de rugby, que se vê às portas de uma copa do mundo que será disputada em seu próprio país.

O filme não é uma biografia, tampouco trata da história de Mandela. É um fragmento, um recorte. Tenta passar um pouco da visão de mundo desse importante sujeito. Não faz dos brancos vilões e não pinta um quadro violento de disputas raciais, embora mostre que ela exista. O filme é bonzinho, ou seja, só dá espaço para a bondade de Mandela e das pessoas que são retratadas. Sentimentos ruins são apenas insinuados. Não gosto de filmes assim.

A direção de Clint Eastwood é bela e sensível, fico surpreso por não ter sido indicada ao Oscar. As filmagens dos jogos são belíssimas e o som ambiente nos coloca dentro do estádio (assistir esse filme com um bom home-theater é fundamental!). Entretanto não gostei muito do Mandela de Freeman. Apesar de seu esforço em pegar o sotaque e postura, não consegue se desvencilhar de sua arrogância habitual (saudade da época em que ele era bom ator como em "Conduzindo Miss Daisy", naqueles tempos ele conseguia representar a humildade), e Mandela é a humildade em pessoa, mesmo sem falar nada, só pelo seu semblante. Damon faz um bom trabalho como o capitão do time François Pienaar.

O roteiro é parcial e busca endeusar a figura do protagonista dando-lhe a perfeição de caráter. O fato de um de seus seguranças mencionar que Mandela também é um homem e portanto tem seus defeitos, não é coerente com o que o roteiro mostra.

Mal comparando, prefiro muito mais filmes como "O Último Rei da Escócia", que embrulham o estômago, mas mostram que o bem e o mal não são tão claros assim, do que Invictus e seu faz-de-conta. Por outro lado, não digo que o filme é ruim, é uma ótima pedida para reunir a família para ver que a humanidade também pode ser boa.

Nota: 7 (bom e edificante)

Trailer:

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Julie & Julia

Julie & Julia (2009)

Direção: Nora Ephron. Com Maryl Streep, Amy Adams, Stanley Tucci e Chris Messina.

Sinopse: "Baseado em duas histórias reais". Julia Child é a esposa de um adido cultural que está baseado em Paris. Ela procura alguma ocupação e entretenimento e acaba descobrindo seu talento para a culinária. Decide escrever um livro e conta com a ajuda de algumas amigas na empreitada. Julie Powell é uma funcionária pública infeliz com sua vidinha medíocre que encontra no livro de culinária de Julia um incentivo para escrever um blog onde conta suas experiências no preparo de todas as receitas contidas nele. A primeira história se passa na década de 40 e a segunda nos anos 2000.

Indicação ao Oscar 2010: Melhor atriz: Meryl Streep.

(Muitos festejaram o reencontro de Meryl Streep com Stanlay Tucci, revivendo O Diabo Veste Prada, só que agora em uma relação mais próxima: marido e mulher; eu faço parte do cânone, porém, também ressalto o reencontro de Meryl Streep com a princesinha Amy Adams, que brilharam no ótimo Dúvida).

Julie & Julia é um filme leve, sem grandes traumas e que se desenrola em duas épocas distintas. Em uma, Meryl Streep contracena com Stanley Tucci formando um casal curioso - ela altona e ele baixinho -, mas que se amam de forma sublime, eu diria; em outra Amy Adams contracena com Chris Messina (que cara asqueroso! Vê-lo à mesa dá nojo!), formando também um casal de "almas gêmeas", mas ao contrário do primeiro, vemos alguns conflitos.

Julia Child (Streep) acompanha o marido nas andanças pelo mundo e nunca consegue se fixar em nada até descobrir o gosto pela cozinha, mais especificamente a francesa. Tem que lidar com o preconceito por ser estadunidense e mulher em meio a homens franceses no curso avançado de culinária, mas o preconceito maior vem de uma mulher: a diretora da escola. Com seu jeito amável e meio atrapalhado, consegue conquistar quase todos e faz amizades com duas colegas que estão escrevendo um livro, logo entrando no projeto e impondo naturalmente sua liderança. É obrigada a lidar com decepções quando tenta várias vezes publicar seu livro ou quando começa certa perseguição política ao seu marido, que a obriga a mudar-se de sua querida Paris. Meryl Streep está mais uma vez fantástica na interpretação e foi justíssima sua indicação ao Oscar. Não vi ainda o trabalho de Sandra Bullock (que levou o Oscar), mas adianto que para ter merecido o prêmio deve ter tido uma atuação fenomenal, acima de sua pobre capacidade (duvido!).

Julie Powell (Adams) é uma escritora frustrada que idolatra Julia e diante de uma vida sem graça como funcionária pública que vive levando desaforo pra casa, resolve fazer algo que gosta: cozinhar utilizando as maravilhosas receitas do livro de Julia Child. Para incentivar o "projeto", resolve montar um blog onde descreve suas experiências culinárias diárias, misturando com situações do cotidiano, criando assim uma espécie de diário. Moradora de uma sobreloja junto com seu marido, a menina passa por alguns maus bocados até perceber que seu blog desperta o interesse de várias pessoas, incluindo jornalistas famosos da área.

O filme é feito com muita sensibilidade e consegue ser cativante apesar da história ser bem "água-com-açúcar". A diretora mistura as duas crônicas de modo encaixado mostrando várias vezes situações semelhantes enfrentadas pelas duas protagonistas de forma paralela causando risos e comoções de modo eficiente.

Um aviso, antes de ver o filme, tenha a certeza de estar bem alimentado, pois ele dá uma baita fome com a quantidade de delícias culinárias que invadem a tela. Quase que dá para sentir o gosto ou o cheiro!

Ótimo para ver com a família.

Nota: 6,5

Veja o trailer: aqui!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sid & Nancy: O Amor Mata (1986)

sid&nancy[1]
Diretor: Alex Cox. Com Gary Oldman e Chloe Webb.
Filme baseado em fatos reais narra o romance entre Sid Vicious e Nancy Spungen. De quebra, acompanhamos o desenrolar do cenário punk na Inglaterra, principalmente dos Sex Pistols, banda a qual Sid era integrante.
Malcolm MacLaren era um cara visionário e percebeu no final dos anos 70 que o cenário musical passava por uma transição. Como o a arte em geral é um reflexo do momento social em que vive o artista, o punk foi mais que natural surgir.
Os Sex Pistols e principalmente Sid Vicious, foram suas “descobertas” e eram os maiores símbolos desse movimento: revolta, auto-destruição, críticas de todos os níveis, inclusive sem motivos. É sobre tudo isso que trata o filme.
Ressalvo que fica nítido que o objetivo maior do autor não é ressaltar o panorama histórico ou contar a trajetória da banda, na verdade tudo isso serve mais de pano de fundo para destacar o romance do casal Sid & Nancy.
Por isso, a história não se importa em explicar o porquê das coisas, como por exemplo, contar sobre a formação da banda, a entrada de Sid no grupo, o final de tudo etc. Tudo isso vemos de passagem.
Vemos em detalhes a relação doentia do casal, suas brigas, dificuldades para arrumar trabalho, dinheiro, drogas, etc. Passeamos por diversas “bocas”, hotéis fuleiros e clubes pessimamente frequentados.
É tudo muito intenso, é como se vivêssemos ao lado deles. As atuações são pertubadoras, Chloe Webb mostra uma Nancy desequilibrada e Gary Oldman um Sid totalmente levado pelos instintos como mostram as cenas em que está no palco ou gravando video-clips. Destaco o momento em que Sid/Gary interpreta “My Way”, música alçada a megassucesso por Elvis Presley, e que Sid Vicious perverteu totalmente o sentido. Vale a pena até olhar no youtube para comparar Sid Vicious com Gary Oldman, a interpretação ficou magistral.
No decorrer do filme, o diretor Alex Cox muda sua história para o surrealismo, lembrando um pouco o trabalho de David Lynch.
Não é um filme edificante, ao contrário, nos mostra o lado destrutivo que a impulsividade e a falta de limites pode nos conduzir. Lamento que muitos pormenores sobre a época, a banda e até mesmo sobre Sid Vicious foram deixados de lado, sobrando mais detalhes para a relação do casal. Desta forma, poderia ter-se criado uma ficção sobre um casal qualquer como fez o filme Drugstore Cowboy ou outros do gênero. Não faria grande diferença para a história.
O maior mérito do filme são as atuações de Gary Oldman e Chloe Webb e suas caracterizações acima da média.
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Chloe e Gary / Nancy e Sid
Recomendo, mas não para todos.
ATOR/ATRIZ
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Gary Oldman faz um Sid Vicious perfeito. Sua interpretação vai nos detalhes. Assombroso!
É uma pena que um ator desse quilate tenha que participar de bobagens como Harry Potter, Alma Perdida, Batman ou O Quinto Elemento (no caso dos dois últimos, chamo de bobagens os papéis, não os filmes).
Quando vir o nome dele nos créditos de algum filme, não significa que o filme será bom mas certamente uma boa atuação haverá.
cast_crew_chloe_webb[1] Chloe Webb é mais ou menos famosa por seus papéis em comédia, mas aqui ela mostra um lado mais dramático e faz uma Nancy extremamente convincente. Lembra muito a Courtney Love (que aliás, faz uma ponta no filme).
Seus gritos e choros beiram o insuportável e sua personagem é uma companheirona, inclusive e principalmente nas coisas ruins. O que os leva a uma trajetória trágica e sem saída.
Talvez tenha sido a melhor interpretação de sua carreira.
Veja o trailer:
‘té mais!
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