domingo, 27 de fevereiro de 2011

50 Obras Revolucionárias - Nº 2 - Tristão & Isolda - Wagner

Richard Wagner
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  • 2 - Tristão & Isolda (1865) - Wagner
Quando escreveu Tristão & Isolda, Wagner não tinha qualquer intenção de criar uma revolução musical. O fato de ele ter desenvolvido uma nova linguagem musical para o Tristão foi resultado de sua necessidade de expressar estados da alma de um tipo nunca antes descrito pela música ou pelo drama. O assunto do drama é a natureza da ânsia - intolerável, implacável - por um amor que só pode encontrar realização na morte. Ao contrário de outros famosos amantes operísticos, Tristão & Isolda não morrem porque as coisas dão errado. Eles estão completamente cientes de que o amor sentem um pelo outro é tão devastador que nada no mundo pode satisfazê-lo.


Para obter em sua música este senso de ânsia, Wagner criou, antes de mais nada, uma revolução na harmonia. Os primeiros compassos do Prelúdio já criam a atmosfera de tensão da qual parece impossível escapar. A primeira frase, violoncelos que se exaltam seguidos por acordes cuja resolução é ambígua - o famoso "acorde de Tristão" -, é repetido após um longo silêncio, com Wagner removendo qualquer fundamento sobre o qual possamos nos apoiar ou esperar qualquer eventual apoio. E assim ele avança pela obra, de modo que nós, como seus personagens, ficamos num constante estado de agitação e não realização.

O elemento mais influente do Tristão, que afetou quase toda a música ocidental subsequente, é sua harmonia. Mas nesta obra de desestabilização Wagner também usou outros meios. O ritmo tradicional praticamente desaparece, de modo que a relação entre música e drama, há muito estabelecida, acaba por dissolver-se. A paleta das cores orquestrais explorada é imensa, e muitos dos momentos mais prementes do drama são caracterizados pelos misteriosos sons de uma orquestra colossal, usados de maneira bizarra. A ampla orquestração de Wagner dá a impressão, nos momentos fundamentais, de que estamos nos desligando totalmente deste mundo.

Outro elemento decisivo é a escala em que o Tristão opera. Obras tão longas, ou quase tão longas, como muitas das óperas de Hendel, haviam sido escritas antes. O que torna o Tristão tão exaustivo e aparentemente tão abrangente é o fato de não existirem divisões em Árias, coros e assim por diante. Wagner via-se como sucessor de Shakespeare, e até certo ponto ele estava certo. Mas o Tristão é organizado de maneira muito mais coesa que qualquer peça de Shakespeare, ou qualquer obra em grande escala que o precedeu. Com seus extraordinários recursos de harmonia e matizes orquestrais, Wagner encerra-nos completamente no mundo de incrível intensidade dos amantes, de modo que ficamos inclinados, como eles, a sentir que nada fora do seu amor tem qualquer importância. É por isso que esta obra, elevando tão alto as ambições da arte, é de um fascínio interminável, tendo muitas vezes sido vista como realmente perigosa.

Influenciados: quase toda a música ocidental
Gravação recomendada: Reginald Goodall/Welsh National Opera (Decca)

Texto extraído da revista Classic CD, Nº 20


Veja aqui um trecho da encenação da ópera!

AUDIÇÃO COMENTADA
Ato 2, "O sink hernieder, Nacht der Liebe"

Este é o trecho central do dueto do Ato II. 00:00 Tristão leva Isolda à margem do regato coberta de folhas. 00:16 Ele canta: "Ó noite de amor, cai sobre nós", e Isolda se junta a ele; eles logo se exaltam, 02:25, cantando "libertando-nos do mundo", ao som de um acalanto das trompas. 03:28 Isolda canta: "Coração no coração, boca na boca", Tristão responde com: "unidos em um só hálito". O próximo e imenso clímax é iminente, à medida que os amantes agora cantam, 04:18, com extraordinária audácia: "Eu próprio sou o mundo; suprema alegria do ser, vida do amor mais sagrado", então eles mergulham temporariamente no "para nunca mais despertar, doce desejo".

Baixe  aquia ópera completa: Parte 1, Parte 2, Parte3

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Série: Música na Cabeça - Capítulo 6: Efeitos da música na reabilitação neurológica


Por Flávia Nogueira
Musicoterapeuta, musicista
e professora de música
Autora do blog Música & Saúde


Já vimos em postagens anteriores que a neuroplasticidade é a capacidade de alteração e adaptação do cérebro frente ás experiências. Vimos também que a música, por sua natureza complexa e única, oferece ao cérebro elementos importantes nesse processo.
Com base nessas informações, o uso da música na reabilitação neurológica tem sido bastante pesquisado e utilizado em grandes hospitais e centros de reabilitação como AACD e Hospital São Paulo/UNIFESP.
A música envolve a transformação dos estímulos sonoros em fenômenos elétricos e químicos, os únicos que podem circular no interior do cérebro. O ouvido capta o som, que faz vibrar os tímpanos dando início a fenômenos fisiológicos que passam pelas vias nervosas acústicas, as quais modificam suas qualidades físicas e químicas, devido a intervenção de vários agentes inter-cerebrais, até chegar às estruturas centrais, que percebem consciente ou inconscientemente os sons musicais.
“A partir do modo como o cérebro organiza-se para processar a música, a musicalidade parece ser uma função integradora, uma função que coordena outras funções ou que as enriquece e, ainda, uma função capaz de colocar o meio cerebral em movimento, em fluxo, pois para processar a música formam-se diversas cadeias neurais e ativam-se diferentes centros trabalhando em conjunto” (QUEIROZ, 2003)
De acordo com a citação acima, o processamento da música ativa diversos centros neurais, atuando de maneira efetiva no cérebro, e consequentemente, colaborando na reabilitação de lesões diversas, tais como traumatismos e acidentes crânio encefálicos. (TCEs e AVEs)
Porém, o uso da música na reabilitação neural, deve ser realizado por um profissional habilitado para tal. A música por si só, embora possua efeitos terapêuticos, não é capaz de agir como uma terapia em si. O profissional utiliza-se do potencial da música para alcançar objetivos terapêuticos duradouros. Caso contrário, a música utilizada em situações extremas pode exercer um efeito relaxante, porém passageiro, não cabendo como uso em reabilitação.

A série Música na Cabeça

Com este pequeno artigo, fechamos os assuntos propostos pela série “Música na Cabeça”.
Como o tema central fundamenta-se nas neurociências, os artigos tiveram um caráter de introduzir várias questões relativas á música e cérebro, sem, porém, aprofundar-se em questões técnicas.
Esperamos com a série, ter despertado nos leitores o interesse de conhecer mais sobre os efeitos da música no cérebro humano, assim como oferecer informações básicas, mas não menos importantes.
Para conhecer mais, acesse o blog Música & Saúde. Nele você encontrará artigos relativos à música, musicoterapia e saúde em geral.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

50 Obras Revolucionárias - Nº 3 - Orfeo - Monteverdi

Claudio Monteverdi
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  • 3 - Orfeo (1607) - Monteverdi
Orfeo é uma ópera em cinco atos, composta para a Accademia degli Invaghiti de Mântua e apresentada pela primeira vez em 1607. Pouco se sabe sobre sua primeira execução, exceto que a assistência foi bastante pequena e íntima. Os antecessores da obra são o balé e os intermezzi da Renascença, que eram montados para os reis e nobres como elaborado entretenimento. Desta tradição, Monteverdi pode extrair uma grande orquestra, inclusive trombones para representar as cenas dos infernos. Orfeo é , do ponto de vista sonoro, a mais excitante de todas as óperas do século XVII, nunca tendo sido suplantada.

Orfeo e Eurídice - pintura de Rúbens (Renascimento)
De muitas formas, a ópera não parecia ser o campo ideal para revoluções, em vista de sua dependência com relação ao estilo madrigalesco, que era importante legado do século precedente. Na verdade, se Monteverdi estivesse disposto a romper com as convenções, teria eliminado os balés, as pastorais e os coros madrigalescos em favor do estilo monódico (uma voz com acompanhamento discreto, como um recitativo) da Eurídice de Peri, que precedeu o Orfeo. (O madrigal, enquanto gênero, logo entraria em declínio, e a paixão de Monteverdi por ele foi quase reacionária, apesar de suas incríveis inovações.)

Orfeo não tenta chamar nossa atenção para os personagens, como fariam obras posteriores nas quais o foco é a resposta do indivíduo às circunstâncias propícias ou adversas. Contudo, ao escolher um tema clássico, Monteverdi estava respondendo ao que era popular em sua época e estabelecendo a agenda para as numerosas óperas que se seguiram. Também há momentos de profundo caráter emotivo, principalmente quando a mensageira anuncia a morte de Eurídice, contada no novo estilo monódico com linhas vocais altamente expressivas e esparso acompanhamento (confira na audição comentada abaixo). Monteverdi foi uma figura básica na evolução desse estilo.

O fato de Monteverdi ter preferido imitar Peri é altamente significativo, pois as melhores revoluções musicais as vezes baseiam-se tanto na inovação conservadora quanto no no descarte do passado. Como Monteverdi criou uma ópera diversificada e cuidadosamente estruturada, de uma riqueza e de uma variedade musicais até então desconhecidas, o Orfeo sobreviveu, enquanto a obra de Peri, mais antiga, ficou reservada, em grande parte, ao interesse da musicologia. Orfeo é a primeira "ópera viável", como afirmou Denis Arnold (N.R. musicólogo inglês, professor de música e escritor), a primeira obra-prima de um gênero que floresceu desde então.

Influenciados: Toda a ópera desde então
Gravação recomendada: Nikolaus Harnoncourt e o Concertus Musicus Wien (Teldec)

Posts relacionados:

Texto extraído da revista Classic CD Nº 20


Orfeo - Início - Confira esta espetacular interpretação com direito a instrumentos e figurino da época!!

AUDIÇÃO COMENTADA
Trecho: Ato 2, "Tu se' morta"... "Sinfonia"


Orfeo cometeu seu erro fatal ao olhar para Eurídice enquanto saíam das regiões infernais, e ela aparentemente morre. Ele expressa sua dor numa das monodias mais comoventes e graciosas da música italiana do século XVII. "Tu estás morta, minha vida..." 01:02 Enquanto Orfeo canta sua inócua vitória sobre o "Rei das Sombras", a música torna-se intensamente cromática - Tristão parece morar ao lado. 02:03 Um coro de ninfas e pastores reflete sobre a inflexibilidade do destino. 03:12 A Mensageira canta a agonia de ser a portadora da terrível notícia. 04:30 Uma breve Sinfonia instrumental acrescenta mais tristeza à lúgubre cena.


Baixe aqui a ópera completa! Parte 1, Parte 2

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Mas afinal, o que é Análise Musical??


Análise musical é a identificação dos elementos formadores de uma música. Ela é fundamental para que se possa emitir os conceitos de "boa" ou "ruim".

Sempre que ouvimos música, imediatamente somos compelidos a fazer uma análise dela. A primeira coisa que vem a mente é se ela nos agradou ou não, isso não deixa de ser uma primitiva (instintiva) forma de análise. 

Diante desta resolução, algumas pessoas se dão ao trabalho de conjecturar quais as razões dela ser boa ou ruim, muitas vezes sem se dar conta de que essa avaliação é parcial e individual, ou seja, ela é boa ou ruim para você e não de fato.

Penso que a maneira mais efetiva para se provar que uma música é boa ou ruim de fato é através de uma análise musical mais profunda.

Mas como seria isso?

Em primeiro lugar não se emite esse tipo de julgamento para um gênero musical inteiro, por exemplo: o Axé Music não presta, isso mostra apenas a ignorância do sujeito que proferiu tal juízo. Deve-se analisar caso a caso. Se você ler algum crítico fazer esse tipo de afirmação, não o leve a sério, ele não merece.

Em segundo lugar, deve-se tentar reconhecer a qual estilo(s) musical(is) tal música pertence. Feito isso, deve-se conhecer os fundamentos do(s) estilo(s), tanto em termos de estrutura quanto de estética, se não houver esse conhecimento, não faça a análise, seja ela positiva ou negativa, estará embasada em preconceitos.

Opinião sem conhecimento de causa deve ser tratada como palavras ao vento.

A partir daqui, o analista poderá escolher os critérios que serão utilizados, esse passo é muito importante pois a conclusão da análise será de acordo com esses critérios, por exemplo, se o critério para a análise for a técnica, a música analisada será boa ou ruim apenas em referência a esse critério, mas poderá ter um juízo diferente se o critério analisado for outro. Leve em conta o estilo ao qual pertence a música, não faz o menor sentido analisarmos a técnica de uma música sertaneja tendo como parâmetro a técnica do jazz.

Escolhidos os critérios, defina seu método. Você pode ser pragmático - monte uma planilha com os critérios e espaços para o preenchimento de suas observações. Ouça com atenção mais de uma vez e repita trechos para perceber melhor. Você pode ser empírico (dependendo dos critérios analisados, isso pode não ser possível) - convide alguns amigos, de preferência que gostem do estilo para ouvir junto com você e observe suas reações. Tente racionalizar suas sensações e a de seus amigos para notar o impacto que a música causou. Se interesse pelas reações causadas no público em geral, através da mídia.

Procure opiniões de especialistas, amantes e detratores do gênero, "penere" os argumentos e confronte-os com suas impressões, reações, constatações e observações. Na análise empírica tente se isentar se a sua reação for minoritária, não a tome como primordial, lembre que sua análise é da música e não de si mesmo. 

Escreva sobre suas conclusões deixando claros seus métodos e critérios e proponha a discussão. Esteja aberto às opiniões e mude de ideia se seus argumentos forem suplantados por outros melhores e mais embasados. Seja humilde, tenha em mente durante todo o processo que você não é o dono da verdade, mas sim o sujeito que está em busca dela. O objetivo final não é você estar certo, mas encontrar o certo!

Sempre que chego a alguma conclusão, costumo dizer que "no momento penso isso", pois não tem nada de errado em mudar de opinião posteriormente se novos elementos forem apresentados.

E você, o que acha?

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Quem é Tex Willer?


Minhas primeiras experiências com a leitura se deram muito cedo com as famigeradas (na época) histórias em quadrinhos. Com elas, aprendi muito sobre história, mitologia, o significado de termos diversos, costumes e condutas.

Cada vez mais interessado, procurei conhecer vários títulos que foram desde a Turma da Mônica até as linhas mais adultas como as do selo Vertigo (DC Comics) e as Graphic Novels. Fascinado por essa rica fonte de conhecimento, colecionei todas que pude. No decorrer de minha vida, fiz e desfiz algumas vezes estas coleções e hoje, na altura dos meus 34 anos de idade, me orgulho muito da minha ainda incompleta coleção de revistas do Tex.

Para quem não conhece, o Tex Willer é um personagem criado em 1948 pelos italianos Giovanni Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini, devido à fascinação que o primeiro tinha pelo Western estadunidense.

Sua origem é como um vaqueiro do Texas que junto com seu pai e irmão, tentavam viver a vida tranquilamente, até que um bando de criminosos mexicanos roubam sua fazenda e assassinam seu velho pai. Tex segue em seu encalço nos territórios mexicanos e faz justiça com as próprias mãos. Sendo perseguido como um criminoso, passa a viver em um circo onde desenvolve diversas habilidades. No decorrer das histórias, acaba recebendo o perdão por seus crimes a auxilia o exército nortista (por seus princípios de igualdade racial) na guerra de secessão como batedor, sem lutar contra seus compatriotas sulistas. Suas aventuras o acabam levando a conviver com o povo indígena dos Navajos, com quem faz grande amizade ao ponto de se casar com a filha do chefe e, após o falecimento deste, torna-se o (improvável) chefe de toda a nação Navajo. Com o tempo, se torna um Ranger e junto com seus fiéis amigos Kit Carson (personagem histórico), Jack Tigre (um índio Navajo) e seu filho Kit Willer, lutam pelas pradarias contra os inimigos da lei e da justiça.

PRINCÍPIOS E ENREDO

Tex tem grande senso de justiça e utiliza todos os métodos ao seu alcance para obtê-la, mesmo que para isso tenha que se aliar com indígenas contra os brancos ou vice-versa. Consegue desbaratar os esquemas dos poderosos especuladores de terras, escapar de diversas armadilhas e conhece como ninguém a natureza humana. É um amigo fiel que nunca deixa seus companheiros sem auxílio, mesmo que para isso tenha que cavalgar até o longínquo e gelado Canadá, ou ao agitado leste estadunidense.

Também é comum Tex ter que lidar com o sobrenatural, governantes, exército, personagens históricos como Wild Bill, Buffalo Bill, General Custer, Jerônimo, Cochise, etc.; assim como paleontólogos, historiadores e arqueólogos.

As histórias consistem em dissolver grandes mistérios e conspirações, sempre com muita ação e bravura.

SOBRE A REVISTA

Tex Nº 1 - raridade!
As aventuras de Tex começaram a ser publicadas no Brasil em 1971, trazidas pela extinta Editora Vecchi. Depois passou às mãos da RGE, Globo e atualmente é publicada pela Mythos. Provavelmente é a única revista com tanto tempo de publicação que mantém sua sequência numérica até hoje (se aproxima do número 500!).

Por tradição e para destacar as belas obras dos desenhistas da revista, suas edições saem até hoje em preto e branco. Além da edição normal, também são publicadas as séries Tex Coleção, Tex Gigante, Almanaque Tex, Tex Ouro, Tex Edição Histórica.

Atualmente, mantenho em meu acervo mais da metade das numerações da edição "normal" e sempre que visito alguma cidade, garimpo nos sebos edições antigas para minha coleção.

Minha esposa Flávia, um dia pegou uma revista para ler e foi contaminada pelo prazer desta leitura. Hoje ela é minha parceira na leitura e coleção, o que faz com que fique ainda mais agradável ler e colecionar as aventuras de Tex e seus pards.

Não quer experimentar? Você encontra as edições do Tex em praticamente qualquer banca de revistas pelo país.

Deixarei mais para futuros artigos, pois é chegada a hora do almoço e como Tex costuma dizer quando chega em algum saloom após longa viagem no lombo de um cavalo: "Garçom! Quero um bife de três dedos de altura, sepultado em uma montanha de batatas fritas, acompanhado do seu maior copo cheio de cerveja gelada!"

Adiós amigos!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vencedores do Grammy 2011 em destaque


Separei uma lista com os destaques da premiação de 2011 - Futuras aquisições.

Melhor Performance Instrumental Pop - Nessun Dorma
Melhor Performance Instrumental Metal - Hammerhead


Ambas músicas do álbum EMOTION & COMMOTION

JEFF BECK
Melhor Performance de Metal - El Dorado


do álbum THE FINAL FRONTIER (já tenho!)

IRON MAIDEN
Melhor Canção de Rock - Angry World


do álbum LE NOISE

NEIL YOUNG
Melhor Performance Vocal para Duo ou Grupo de R&B - Soldier of Love


do álbum SOLDIER OF LOVE

SADE
Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo - The Stanley Clarke Band
Melhor Álbum de Jazz com Vocal - Eleanora Fagan (1915-1959): To Billie With Love From Dee Dee




DEE DEE BRIDGEWATER
Melhor Improvisação de Jazz - A Change Is Gonna Come


do álbum: IMAGINE PROJECT


HERBIE HANCOCK
Melhor Álbum de Jazz Ensemble - Mingus Big Band Live At Jazz Standard


MINGUS BIG BAND
Melhor Álbum de Jazz Latino - Chucho's Steps


CHUCHO VALDEZ & THE AFRO-CUBAN MESSENGERS
Melhor álbum de Blues Contemporâneo - Living Proof


BUDDY GUY
Melhor Álbum de Música Clássica - Requiem - Verdi

domingo, 13 de fevereiro de 2011

50 Obras Revolucionárias - Nº 4 - Sinfonia Nº 9 "Coral" - Beethoven

Ludwig Van Beethoven
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  • 4 - Sinfonia Nº 9 "Coral"Opus 125 (1824) - Beethoven
Grandes sinfonias haviam sido escritas antes da Nona de Beethoven, e outras deveriam surgir depois dela, mas nenhuma outra é maior que esta obra de uma iconoclastia devastadora, que rompeu com praticamente todas as convenções da época e cuja inflamada noção de que as obras musicais mais elevadas podem e devem enobrecer a humanidade nunca foi suplantada.

As próprias dimensões físicas da Nona sinfonia foram revolucionárias. Ela apresentava o dobro da duração de qualquer sinfonia anterior, e ampliava dramaticamente o tipo de tela sobre a qual os compositores clássicos anteriores haviam delineado suas obras. Schubert, Bruckner e Mahler foram todos se inspirar na radical definição bethoveniana do espaço e do tempo sinfônicos., bem como do tipo e da qualidade do material musical que uma sinfonia deve conter. A introdução de coro e solistas no final do quarto movimento foi outro lance de gênio. Ouvir a voz humana como executante principal em uma argumentação rigorosamente sinfônica foi um momento de revelação tipo "estrada de Damasco" para o jovem Wagner, o que afetou em muito suas teorias sobre o drama musical (em oposição à "ópera" convencional), levando a obras-primas posteriores como Die Meistersinger e O Anel. Mahler ficou similarmente encantado: é impossível imaginar sua arrebatada Sinfonia Ressurreição sem o exemplo pioneiro da Nona. Contudo, o mais importante é que a Nona foi a primeira sinfonia a lidar, direta e resolutamente, com os problemas existenciais básicos que subjazem à vida humana. A turbulência emocional e metafísica do Allegro inicial, o agitado Scherzo, o Adagio de uma beleza dolorosa, a busca cada vez mais desesperada de uma resolução que provoca o final, tudo isso leva à elaborada e imensa exaltação da transposição vocal que Beethoven fez da famosa Ode à Alegria de Schiller com que se encerra a obra. A mensagem que Beethoven quer passar é clara, além de particularmente comovente em vista das atormentadas circunstâncias de sua vida pessoal (surdez, depressão, tragédia familiar): apesar do sofrimento, apesar da miserável fragilidade da natureza humana, somos capazes de amar uns aos outros intensamente, e podemos, juntos, sobreviver gloriosamente.

Ainda somos capazes de levar a sério essa mensagem hoje? Talvez não, mas a Nona sinfonia é um ato de fé corajoso e permanentemente miraculoso: ela mudou para sempre os conceitos da função da música e continuará a oferecer esperança e inspiração à nossa complicada espécie.

Influenciados: Todo o repertório sinfônico austro-germânico
Gravação recomendada: Complete Symphonies com Arnold Schoemberg Choir; Chamber Orchestra of Europe/Nikolaus Harnouncourt (Teldec)

Texto extraído da revista Classic CD, nº 20


AUDIÇÃO COMENTADA
Beethoven - Sinfonia Nº 9 "Coral" - Finale, última parte


A Nona sinfonia de Beethoven conclui com os versos da Ode à Alegria de Schiller. 00:00 O coro lança uma grande invocação à humanidade: "Abraçai-vos, ó milhões! Que este beijo seja para o mundo todo!" 02:16 Leve galopar das cordas, à medida que a sensação de certeza e catarse iminente oferecida pela música caminha para a arrebatada apóstrofe da alegria em 03:06 et seq.: "Que todos os homens se tornem irmãos onde abrires tua asa gentil". 04:46 A música desloca-se do êxtase para o extremo arrebatamento, à medida que toda a extensão da visão que Beethoven tinha da humanidade é finalmente revelada em uma cacofonia de sons inspirados e triunfantes. (é de arrepiar!!!!)

Baixe aqui a Nona completa!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

A Formação do Gosto Musical - Conclusão


Como vimos, a formação do gosto musical não é um assunto simples, nem tampouco trivial. Vários elementos estão envolvidos, dentre eles destaco:

A personalidade do indivíduo;
A estruturação da música;
A influência do ambiente;
O nível cultural;
O grau de tolerância;
O interesse;
A experiência associativa.

 - Para a boa compreensão deste artigo, é imprescindível a leitura prévia da serie, caso ainda não tenha lido, utilize o link abaixo:

Percebemos que o gosto começa a ser formado antes mesmo de nascermos, e que pode ser um processo constante até o final da vida, porém, encontra alguns impedimentos, como a diminuição da cognição em decorrência da velhice, os preconceitos e o baixo nível cultural.

A proposta da serie não é moldar gostos e nem dizer o que é certo ou errado, apenas procurar refletir sobre o tema e convidar o leitor a debatê-lo.

Minha posição pessoal é que quando interrompemos nossa formação do gosto ou a restringimos a poucos estilos musicais, estamos limitando nosso potencial apreciativo e deixando de aproveitar os benefícios que todos os estilos, de uma forma ou de outra nos proporcionam. Entretanto, não prego o "gosto universal", ou seja, gostar de tudo. Penso que os indivíduos expressam suas personalidades também em relação às músicas e estilos que compoem seu gosto pessoal.

Essa visão parece ser contraditória, mas não é. Posso aproveitar o que uma música proporciona de bom sem necessariamente gostar dela. Em meu ponto de vista, há três formas de se apreciar música:

1- Com a cabeça - como vimos na parte 7 da série: Erudição
2- Com o coração - como vimos no decorrer da serie, principalmente na parte 5: Associação
3- Com o corpo - essa é a forma menos apreciada pelos ditos "intelectuais" da música. É notável como algumas pessoas perdem a oportunidade de apreciar música dessa saudável  forma. Alegam tratar-se de músicas alienadas e simplórias - dignas do populacho ignorante. Sim, podem ser simplórias em sua estrutura, podem não tratar de nada relevante; mas divertem, alegram, empolgam - isso afinal, não seriam méritos?

Critico aqui no blog quando apenas esse tipo de música que envolve a "audição com o corpo" se sobressai, não os artistas ou as músicas, mas sim o fato delas se sobressaírem frente às demais, causando até sua segregação completa, como se não existissem! A maior causa disso é a manipulação da mídia, porém ela só é possível graças a precária educação em nosso país, que simplesmente cancelou o ensino musical e artístico nas escolas públicas; atitude que logo foi seguida pela maioria das instituições de ensino particulares.

O estudo das artes trás vários benefícios, os mais importantes, sem dúvida são o desenvolvimento do senso crítico e o poder de avaliação. Sem esses recursos, não passamos de massa de manobra!

Finalizo agradecendo aos caros leitores que participaram dessa serie, seja lendo ou também entrando no debate. Não tive a pretensão de trazer verdades incontestáveis, apenas o fruto de minhas experiências e leituras. Espero que o conteúdo tenha sido de alguma valia para sua reflexão e que, concordando comigo ou não, que você continue se divertindo ouvindo música!

Abraços!!

Rodrigo Nogueira.

Quer sugerir temas para novas series? Deixe um comentário!!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Os 10 CDs Mais Vendidos em Fevereiro de 2011 (até agora...)


O amigo leitor deve estar estranhando o tema deste artigo. Deve estar pensando que me rendi à modinha, que agora o blog vai mudar de rumo. Nada disso! Sem dúvida trata-se de mais uma provocação!

Confira a lista dos 10 CDs mais vendidos em fevereiro de 2011!
Fonte: Hot 100 Brasil

10º Lugar
9º Lugar (Reparem no erro de português no nome do grupo)
8º Lugar
7º Lugar
6º Lugar
5º Lugar
4º Lugar
3º Lugar
2º Lugar
1º Lugar

PERGUNTA: SERÁ QUE SE NO BRASIL HOUVESSE EDUCAÇÃO DE QUALIDADE OS DISCOS MAIS VENDIDOS SERIAM ESSES?

BRASIL-IL-IL-IL!!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Série: Música na Cabeça - Capítulo 5: Quando a Música Faz Mal



Frequentemente ouve-se falar sobre os benefícios da música, seja no aprendizado, no estímulo cerebral, na diminuição do estresse, e tantos mais.

Pouco se fala dos malefícios, ou seja, nos efeitos nocivos que a música pode provocar nas pessoas.

Hoje falaremos de alguns casos em que a música faz mal à saúde, seja na saúde física ou mental, e deve ser evitada. Falaremos também de alguns mitos sobre os efeitos da música, baseando-se em pesquisas científicas recentes.



Por Flávia Nogueira
Musicoterapeuta, musicista
e professora de música
Autora do blog Música & Saúde


A overdose musical

A audição demasiada, especialmente pelo uso constante do fone de ouvido, tem preocupado organizações da saúde em todo o mundo.

Vemos na população, especialmente no meio jovem, a audição ininterrupta de música por várias horas. Sabe-se que a audição musical estimula várias áreas cerebrais, o que pode ser tomado como um ponto positivo, já que este estímulo mantém o cérebro em atividade saudável. O problema reside no fato que, embora tal estímulo seja positivo, em demasia pode sobrecarregar o sistema auditivo e as atividades neurais. Não que nosso cérebro seja limitado, mas é necessário momentos de descanso, para que os processamentos das diversas atividades requeridas por ele ocorram adequadamente.  Ao ouvir música constantemente, o cérebro se mantém em atividade complexa, e isso pode sim ser prejudicial, pois gera cansaço, e após um longo dia de audições, a pessoa pode encontrar dificuldade de concentração e até para dormir e relaxar.

Este efeito nocivo se agrava consideravelmente quando a audição é feita através de fones de ouvido (mp3, ipods), pois estes aparelhos têm um sistema que limita a fuga do som, por isso, a intensidade que atinge o ouvido interno é muito maior.
Segundo alguns médicos, o uso e abuso de MP3 faz com que os jovens tenham um envelhecimento da audição igual a uma pessoa com 60 anos.

Um relatório encomendado pela Comissão Européia alerta que quem ouvir música acima dos 80 decibéis, durante uma hora, todos os dias, tem uma grande probabilidade de ficar surdo após cinco anos. Se a audição de uma hora diária é capaz de todo esse “estrago”, imagine a audição de horas, como é bem comum.

Em seu recente livro “Alucinações Musicais”, o neurologista americano Oliver Sacks relata vários casos que demonstram os efeitos da música no cérebro humano. Dentre eles, há vários em que os efeitos foram considerados nocivos.

Entre os casos citados, há os chamados Earworms (vermes de ouvido) ou Brainworms (vermes de cérebro). São casos que podem soar comuns a muitas pessoas, porém, são considerados nocivos e até patológicos quando ultrapassam um nível normal.

Os vermes de ouvido/cérebro são aqueles trechos de música que ficam em nossa mente por horas, até dias a fio. Podem ser desde músicas que gostamos até aquelas que abominamos. Ficar com músicas na cabeça é normal quando elas logo passam, e não chegam a incomodar muito. Porém, quando elas “martelam” nossa cabeça por dias sem parar, podem se tornar insuportáveis e atrapalhar o sono, o trabalho, o rendimento escolar.

Ao fim do capítulo, o autor cita a audição constante a que somos expostos, como agravantes dessa problemática.

Outros casos comuns de efeito nocivo são os ataques epiléticos causados pela audição musical. Ainda no livro de Oliver Sacks, o autor cita a Epilepsia musicogênica.

Desenvolvida geralmente a partir dos vinte anos de idade, segundo estudos, os indivíduos acometidos pela epilepsia musicogênica eram “interessados em música”, ou seja, a música fazia parte constante das suas vidas.
Os ataques ocorridos pelos indivíduos acometidos pela epilepsia  apresentavam formas variadas: alguns caiam inconscientes, mordiam a língua, e outros apresentavam breves ausências, mal notadas pelas pessoas ao redor.

Assim também as músicas que desencadeavam os ataques variavam de uma pessoa para outra e poderiam ser desde o rock até músicas clássicas.

Mitos

Quando procuramos saber mais a respeito dos efeitos nocivos da música, frequentemente encontramos artigos que “acusam” certos estilos musicais. O rock é o estilo mais atacado como música maléfica, enquanto a música erudita e o new age são consideradas ideais e benéficas.

Por sua característica “agressiva”, muitos falam que o rock não é uma música adequada ao relaxamento, incita a violência, promove agitação, rebeldia, baixo rendimento escolar e tantas outras influências nocivas ocasionadas por sua audição e de outros estilos com características similares (segundo os autores).

Como musicoterapeuta, nunca encontrei nenhuma base científica que corrobore com essa afirmação. Ao contrário, em uma tese de doutorado apresentada na USP, foi realizada uma pesquisa utilizando-se da música Trilogy do guitarrista Ingwie Malmsteen. 

No estudo, a intenção era expor crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (hiperativos) à música citada e comparar os efeitos com aquelas que não ouviram.
Ao contrário do que muitos poderiam pensar, os movimentos do hiperativo foram menores durante a música e a análise funcional do movimento revelou que o hiperativo olhou o caderno e escreveu mais enquanto ouvia a música do que em silêncio. O estudo concluiu que a música favorece a diminuição da movimentação em sala de aula e a torna mais atenta.

Segundo a pesquisadora, ouvir a citada música de Malmsteen contribuiu, não para deixar as crianças mais agitadas, mas para diminuir a agitação e colaborar na concentração.

Como vimos acima, não é o estilo da música que exerce influência negativa ou positiva. Nos casos da epilepsia citada acima, muitos pacientes apresentaram ataques ouvindo peças eruditas e músicas “calmas e relaxantes”.  Portanto, representa um mito associar de maneira arbitrária os estilos musicais como bons e ruins.

Referências

SACKS, Oliver. Alucinações Musicais: Relatos sobre a Música e o Cérebro. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
Souza, Vera Helena Pessôa. Contribuições ao estudo da hiperatividade: determinação de índices para avaliação de comportamento irrequieto e alternativas de tratamento através da música. Tese apresentada  ao Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo para obtenção do grau de Doutor. São Paulo; s.n; 1995. 462 p.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

50 Obras Revolucionárias - Nº 5 - Sinfonia Nº 3 "Heroica" - Beethoven

Ludwig Van Beethoven
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  • 5 - Sinfonia Nº 3 "Heroica" (1803) - Beethoven
Alguns críticos assinalam 1803 como o ano em que o Romantismo (estilo musical) chegou à música, pois foi quando Beethoven escreveu a sinfonia Eroica. Descontada a estupidez de se dividir a história em pequenos compartimentos como este, a Eroica tem um significado simbólico como marcador do advento de um novo espírito em música, que dava ênfase ao indivíduo e representava sua luta contra os elementos.

A Eroica é profundamente inovadora em seu caráter assertivo e heroico. Sua Marcha Fúnebre fala de uma catástrofe de enormes proporções nunca dantes descrita em música - pelo menos não desta forma. Nada disto implica que Haydn e Mozart apresentavam escopos emocionais limitados; eles, sem dúvida, comandavam vastos horizontes expressivos. Em termos musicais, a Eroica foi uma expansão da sinfonia de várias formas. As extraordinárias dissonâncias do primeiro movimento possuem uma veemência e uma força antes não encontradas na música sinfônica. A estrutura do Finale também é nova, no sentido de que engloba um conjunto de variações dentro de uma rápida introdução e uma coda. Sua novidade musical, contudo, não deve ser exagerada. O primeiro movimento da Sinfonia Praga de Mozart é mais longo que o da Eroica, e como Beethoven, Haydn usou grandes orquestras quando teve a oportunidade. Falar do Finale alerta-nos para outro legado do enorme impacto da Eroica: o problema do Finale. O sentido de luta em termos musicais e expressivos deu muito peso ao Finale. Já vimos isto na Júpiter de Mozart (geralmente, Haydn e Mozart relaxavam um pouco em seus Finales), mas a Eroica levou o processo muito adiante, forçando os compositores a trabalharem cada vez mais seus últimos movimentos.

Influenciados: todo o repertório sinfônico austro-germânico.
Gravação recomendada: Günter Wand (BMG)

Texto extraído da revista Classic CD Nº 20


AUDIÇÃO COMENTADA
3º Movimento "Scherzo"

O Scherzo se inicia de maneira sinistra e ritmicamente ambígua, cheio de tensão. A onda finalmente se quebra em 00:45, quando o tema principal é apresentado em altos brados. 01:12 Depois de reiteradas permutas entre as cordas e as madeiras, Beethoven produz uma surpreendente textura com as cordas em tremolo. 02:32 O heroico tema da Eroica não é mais eloquente que quando exposto pelo Trio desta incrível obra. 05:09 o golpe de mestre de Beethoven, imprevisível e desafiante, ocorre quando ele, subitamente e de maneira chocante, transforma um arpeggio descendente no ritmo ternário prevalecente (1-2-3) em 4/4: um gesto de interrupção construído sobre a ambiguidade rítmica do início.

Baxe AQUI a Heroica completa!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Canção Mais Valiosa do Mundo!


Todos sabemos que a música é mais tratada como um bem comercial do que como uma forma de arte, ou como diriam alguns é "arte comercial". Diante das normas do capitalismo, virtualmente tudo pode ser comercializado. As coisas são de quem consumir, ou seja, comprar.

No mundo musical, há os que defendem que as obras têm que vender, depois a tornaremos arte. Outros pensam que a música é arte, mas que se render dividendos, melhor. Um terceiro grupo mais radical, acha que música é arte, vem da alma, e que se gera lucro ou não é irrelevante.

No meio dessa questão, podemos refletir sobre a ideia dos direitos autorais - você compõe uma música e ela é sua propriedade, se alguém a usar, com fins comerciais ou não, terá que lhe pagar. Há aqueles que acham isso um absurdo, a arte é da humanidade, seu uso deveria ser para engrandecer quem a pratica ou a admira ou até à espécie humana como um todo. Outros acreditam que é um bem individual, no caso de seus autores; a capacidade individual a gerou e o uso por terceiros seria uma expropriação indevida, a não ser que esse mesmo autor aceite uma espécie de indenização por ter o fruto de sua mente usado pela coletividade - o famoso direito autoral. Por fim, existem aqueles que acham que a propriedade do produto música deve ser de quem o comprar, ou pagar mais. Apesar de soar absurdo, mesmo o comprador não sendo o autor da música, recebe os "direitos autorais" toda vez que a obra é executada. 

...E na sua opinião? Como você enxerga esta questão?

Para auxiliar na sua reflexão, reproduzo abaixo um trecho do livro "Música, Cérebro & Êxtase", de Robert Jourdain - o autor escreveu esse trecho em cima de uma matéria publicada no jornal Los Angeles Times - edição de 15 de agosto de 1985, página 1. (é bem provável que ele tenha pago pelos direitos autorais)

O ano era 1985 e Paul McCartney queria suas canções de volta (N.R. eram propriedade da gravadora). Como tantos jovens músicos que batalhavam naquele período, os Beatles assinaram seus primeiros contratos que os deixaram quase prisioneiros da gravadoras, e McCartney perdera a posse de muitas das melodias nascidas do seu coração. Naquele momento, 251 canções dos Beatles faziam parte de um lote em hasta pública, inclusive favoritas como 'Help' e 'Let It Be', e seriam vendidas juntamente com um vasto conjunto de 40 mil melodias, na maioria obscuras, mas algumas delas de grandes nomes, como Little Richard e Pointer Sisters. A empresa de McCartney, MPL Communications, logo entrou numa guerra de lances com vários rivais, e o preço foi aumentando. Frenéticos esforços foram feitos para levantar dinheiro suficiente e permanecer na disputa. Mas tudo sem resultado. No final, um único indivíduo abocanhou o catálogo inteiro, desembolsando uma soma próxima de 50 milhões de dólares. Nome do comprador: Michael Jackson.
Compradas por uma bagatela? Alguns achariam que sim. Uma  música popular pode render uma fortuna em direitos autorais [como McCartney devia saber muito bem, pois ele próprio adquirira os direitos de modelos de pieguice como 'Sentimental Journey' e 'Autumn Leaves' (N.R. a primeira foi hit em 1945 na voz de Doris Day e a segunda é uma versão do original francês "Les feiules mortes", a letra em inglês é de Johnny Mercer e fez muito sucesso principalmente nas vozes de Edith Piaf e Nat King Cole)]. Todas as vezes que uma música popular é tocada num evento público, no rádio, ou degradada como música ambiente, o dinheiro vai pingando através de um rio de agentes, até chegar ao dono da canção. Nenhuma melodia é tão lucrativa quanto aquela que parece não pertencer a ninguém. A canção mais valiosa do mundo é Happy Birthday to You.
Claro que o texto é tendencioso, mas tenho certeza que você meu amigo leitor, tem ótimo discernimento e senso crítico para emitir uma opinião própria e embasada. Compartilhe-a conosco!

AFINAL, O QUE VOCÊ PENSA SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS NA MÚSICA?

Fique a vontade nos comentários, sua opinião seja ela qual for, é muito bem-vinda!

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