domingo, 31 de outubro de 2010

50 Obras Revolucionárias - Nº 19 - Messe de Notre Dame - Machaut

Guillaume de Machaut
Para conhecer a série "50 OBRAS REVOLUCIONÁRIAS", clique AQUI!

  • 19 - Messe de Notre Dame (data desconhecida) - Machaut
Machaut compondo
A célebre Messe de Notre Dame de Machaut não foi, com certeza, a obra mais revolucionária do século XIV. Filipe de Vitry, pertencente à Ars Nova, foi, sem dúvida, muito mais inovador. Tampouco se trata (como já se pensou) da mais antiga transposição para a música da missa católica - a honra fica, por enquanto, com a Messe de Tournai. Mas ela possui um significado quase icônico como obra par excellence da idade Média, e deve seu aspecto revolucionário ao fato de ser a mais antiga missa a quatro vozes (a de Tournai é em três) de um compositor conhecido. Transbordante das técnicas musicais mais apreciadas na época, inclusive o isorrítmo (basicamente um modelo rítmico repetido e aperfeiçoado para ser usado como instrumento de grande sofisticação) e o estilo hoquet, ou "soluçado", mais antigo, a Missa de Nossa Senhora atraiu muitos compositores do século XX, que, incentivados pelos rigores do serialismo integral (muito já foi tratado aqui no blog sobre este tema, consulte as obras revolucionárias contemporâneas) e outras tendências, responderam positivamente a estruturas do passado similarmente elaboradas. Boulez programou Machaut em seus concertos Domâine Musicale das décadas de 1950 e 1960. Maxwell Davies rendeu-lhe tributo com um arranjo especial do Hoquetus David.

Influenciados: Boulez, Maxwell Davies
Gravação recomendada: Ensemble Organum/Marcel Peres (Harmonia Mundi)

Texto extraído da revista Classic CD, Nº 20


AUDIÇÃO
Messe Notre Dame (trecho) com Antoine Guerber


sábado, 30 de outubro de 2010

Feriadão em Salvador


Eu e família estamos curtindo o feriadão de finados na aprazível Salvador!

Semana que vem retornamos com a programação normal do blog!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Luzia - Paco de Lucía

1998

Paco de Lucía é um dos maiores mestres do violão. Seu trabalho como compositor e intérprete é reconhecido em todo o mundo. Aprendeu a tocar o instrumento com seu pai dentro da tradição cigana e contribuiu enormemente para o desenvolvimento do flamenco, trazendo uma visão moderna para esse estilo musical.

Luzia é um dos trabalhos mais sensíveis e artísticos do artista espanhol. Leia abaixo o que diz o crítico musical especializado em flamenco, Félix Grande, sobre esse disco e sua comparação com o álbum anterior, Sirocco. O texto está encartado no CD e a tradução é livre.

Cada gravação de Paco de Lucía é um acontecimento por si só. Cada novo projeto é uma surpresa. E este é algo mais: Luzia é inacreditável; deixa-nos esgotados e espantados. Todos têm limitações, até os gênios. Por anos pensei que o gênio de Paco de Lucía havia atingido seu máximo com o álbum Sirocco. Não foi assim. Em Luzia, as músicas são mais profundas, mais expressivas e muito mais flamencas nessa gravação memorável. Sirocco foi o trabalho de um artista tempestuoso; Luzia é o trabalho de um artista com pleno comando do poder da serenidade, solidão e tristeza. Sirocco nos levou a alegria e lágrimas; Luzia nos mostrou como descobrir tristeza na alegria, e nos ensinou o conforto das lágrimas. Sirocco foi composto por um mestre da criatividade no flamenco; Luzia foi escrito por um ser humano ciente de sua mortalidade; Em Sirocco a música estabelecia um diálogo com a história da Andaluzia; em Luzia há também um diálogo com o terror do nosso tempo de vida finito. Sirocco é um tour de force. Luzia é a culminação. Na gravação de 1981, Solo Quiero Caminar, havia uma faixa, Montiño, onde uma silenciosa aliança foi estabelecida entre o som, ritmo e o mistério, uma espécie de confissão, onde a música tinha o peso pesado da levitação; emoção que sutilmente nos moveu em Sirocco; Em Luzia esta gramática emocional tornou-se a regra predominante.
A técnica de Paco de Lucía ainda é surpreendente, mas se comunica com intimidade pura agora. Sua habilidade cresceu para dentro; ela não apenas engrandece o próprio artista, mas sim evoca emoções radicais. A técnica de Paco de Lucía talvez possa ter parecido arrogante no passado; em Luzia ele se tornou nosso irmão. Sua técnica prodigiosa não pretende mais surpreender; ela tem uma meta ainda mais ambiciosa: nos conduzir pela mão ao âmago do flamenco, e para o âmago de nossas próprias vidas. Na outra gravação de Paco de Lucía nós compartilhamos uma celebração; agora nós assistimos uma cerimônia. Fomos enriquecidos. Estamos habituados a ouvir sua música a partir da incerteza da nossa curta e fugaz vida; em Luzia ouvimos a música flamenca do reino enigmático dos nossos antepassados. Esta gravação nos ajuda a rememorar e se apossar de nossa antiga história. E, portanto, torná-la mais duradoura.
 Agora a arquitetura harmônica não é apenas rica; está determinada a ser essencial, as harmonias não estão meramente conectadas às melodias. Elas estão intrinsicamente ligadas para gerar densidades adicionais. As escalas não seguem as tonalidades comuns, elas transbordam no fraseado; não é exibicionismo, é mais uma prestação de serviço. Seus acordes, que costumam ser a prova da incrível destreza de sua mão esquerda, agora refletem as ansiedades da música, os símbolos de um flamenco erótico. E quanto ao ritmo, espinha-dorsal de sua música, nessa gravação é mais do que um suporte estrutural: é um ritmo que conduz a música do passado para o futuro. Paco de Lucía vivia para seu ritmo, agora o ritmo vive nele: Luzia, música escrita com incendiária coerência, não é apenas o máximo da técnica do flamenco; é um marco na história da música contemporânea. Finalmente: Luzia é também absolutamente um gesto típico do povo flamenco realizado por Paco de Lucía: é um tributo feito para sua mãe.
Depois das grandes palavras escritas por este profundo conhecedor da música flamenca, o que mais eu poderia dizer? Apenas desejo que o caro leitor aproveite ao máximo esta obra suprema do mestre Paco de Lucía!

Ouça aqui o disco completo!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nota de Falecimento: Gregory Isaacs


No dia 25 de outubro de 2010, o reggae perde o grande cantor e compositor Gregory Isaacs.

O controverso artista jamaicano chegou ao sucesso em 1978 quando apareceu no filme Rockers, onde cantou a música 'Slavemasters'. Esteve preso por portar drogas e depois comentou sobre seu vício: "As drogas são armas que o rebaixam."

Era conhecido como Cool Ruller e Lonely Lover.

A causa foi câncer no fígado e ele tinha apenas 58 anos.

Ouça abaixo um pouco do trabalho do mestre!

O que é Alternative Dance?

O ALTERNATIVE DANCE surgiu da mistura de Indie Rock, Electronic Dance, New Wave, Electronic Body Music e Alternative Rock.

País de Origem
Inglaterra



Ouça aqui Alternative Dance!


FORMAS DERIVADAS

domingo, 24 de outubro de 2010

50 Obras Revolucionárias - Nº 20 -Der Freischütz - Weber

Carl Maria Von Weber
Para conhecer a série "50 Obras Revolucionárias", clique AQUI!

  • 20 - Der Freischütz (1821) - Weber

Antes de Weber, a ópera em língua alemã havia lutado em vão contra o domínio italiano do palco internacional. Houve obras-primas isoladas, como A Flauta Mágica de Mozart e o Fidélio de Beethoven, mas nenhuma provocou uma onda de bons seguidores. A primeira execução de Der Freischütz (O Caçador Furtivo ou O Franco Atirador), em 1821, mudou toda essa situação. Aqui, finalmente, estava uma obra que bebia deliberadamente nas sugestivas tradições da música folclórica e na imaginação popular da Alemanha. Suas vigorosas danças campestres inflaram de orgulho o peito nacional, sua palheta orquestral, impregnada dos sons das trompas, evocava a verdejantes florestas alemãs, e sua narrativa sobre mágicos projéteis lançados por um franco-atirador penetrou fundo nas nebulosas regiões da psique teutônica. Wagner, por exemplo, ficou fascinado com o que ouviu, e muitas páginas do Anel estão embebidas da influência de Weber, que fundou a ópera alemã e tornou-a imediatamente grande.

Influenciados: Wagner
Gravação recomendada: Harnoncourt (Teldec)
Texto extraído da revista Classic CD, Nº 20


AUDIÇÃO
Der Freischütz (trecho) - com Carlos Kleiber



sábado, 23 de outubro de 2010

Solomon Kane - O Caçador de Demônios

Solomon Kane (2010)


Direção: Michaell J. Bassett. Com James Purefoy, Max Von Sydow e Rachel Hurd-Wood.

Sinopse: Capitão da marinha inglesa luta contra os pagãos de forma impiedosa para adquirir fama e fortuna, até que descobre que está condenado ao inferno e que os servos do diabo estão obstinados a pegá-lo. Na tentativa de buscar o perdão divino, parte em uma missão que poderá libertar sua alma. A ação se passa no século XVI.


Solomon Kane é um tipo de bárbaro criado por Robert E. Howard para os quadrinhos, é uma espécie de Conan (também de Howard) medieval e fanático religioso. Habilidosíssimo com a pistola e as espadas, Kane, junto com seus comandados, perpetua uma série de massacres em suas empreitadas atrás de glória e fortuna. Um belo dia, invade uma ilha dominada por uma poderosa feiticeira e, destemido, destrói tudo e todos até chegar ao palácio da bruxa e dar de cara uma série de entidades demoníacas convocadas para defender a sala do trono e cercanias. Sem hesitar, Kane chega até o recinto principal e encontra o Ceifador que veio para levar sua alma. Depois de enfrentá-lo, consegue escapar por milagre e a cena inicial é encerrada, e a qualidade do filme também.

A bonitinha que precisa ser resgatada
Depois desses eventos, Kane fica apavorado e vai se esconder em um mosteiro onde vira um pacifista carola até ser expulso de lá, pois o chefe do local recebe uma revelação em sonhos de que o outrora sanguinário personagem, tem que cumprir seu destino em outras paragens. Após implorar para ficar, Kane torna-se um peregrino que tenta remediar seu passado. No caminho encontra uma família de puritanos que o abriga. Claro que eles são agredidos, a mocinha bonitinha é capturada e nosso herói deve partir em uma missão suicida para resgatá-la, pois prometeu isso ao pai moribundo da bela. No trajeto, enfrenta várias pessoas endemoninhadas e tem que encarar os fantasmas de sua infância.

Algumas cenas de ação, roteiro previsível e raso poderão fazer a alegria das pessoas que gostam de assistir filmes para ficarem anestesiadas, ou seja, sem precisar pensar em absolutamente nada.

Nota: 3 (Aventurinha para passar o tempo)

Trailer:

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Nota de Falecimento: Ari Up (The Slits)


No dia 20 de outubro de 2010 foi anunciado o falecimento da cantora alemã  Ariane Forster, ou Ari Up, como era mais conhecida.

Ari foi famosa por ser a líder de um grupo feminino de punk chamado The Slits, que marcou época e mostrou que as mulheres também poderiam fazer parte do movimento e mostrar sua competência. 

Ela tinha apenas 48 anos e a causa da morte divulgada em seu site oficial foi "doença grave".

Já publiquei um post no blog sobre The Slits - Clique AQUI  para saber mais e curtir o som da banda.

Site oficial: http://www.ariup.com/

Mudança no visual do blog


Assim era a aparência do blog, fica como registro.

Mudei por 2 motivos, porque já fazia bastante tempo que utilizava este template e porque encontrei outro blog muito próximo que passou a utilizar um igual ao meu. Sei que o template que usava era um modelo free, ou seja, qualquer um poderia usar, mas não gostei de ver outro blog com a mesma aparência que o meu, embora o conteúdo fosse diferente.

Espero que a nova aparência agrade...

Abraços!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O Primeiro Canto - Dulce Pontes


1999


Meu primeiro contato com esta fenomenal cantora se deu em meados do ano de 1998. Nesta época, eu e minha esposa éramos proprietários de uma humilde escola de música na ensolarada e bela cidade praiana de Itanhaém. Vivíamos um para o outro, para nossa filhinha recém-nascida e para a música. Só por isso Dulce Pontes, por resgatar as memórias dessa deliciosa época, já tem seu lugar em meu coração.

As Duas Faces de um Crime
Edward Norton
Mas engana-se quem pensa que postei esse disco hoje apenas por razões sentimentais! Retomando a história de minha descoberta musical, assistia eu uma fita VHS (DVD nessa época era só para os muito ricos) do filme 'As Duas Faces de um Crime', estrelado por Richard Gere, e que apresentou para o mundo o ótimo ator Edward Norton. No meio do filme surge a 'Canção do Mar', a bela melodia imediatamente despertou meu interesse. Ao final do filme, enquanto subiam os créditos, acompanhei com atenção para ver o nome da dona daquela voz excepcional, até que ele surgiu: Dulce Pontes!

Encurtando a história, não consegui nenhuma informação sobre ela até que descobri tratar-se de uma cantora portuguesa e tive que importar este bendito disco dela pagando os olhos-da-cara. Detalhe: não tinha a tal 'Canção do Mar'!

Um pouco indignado, comecei a ouvir o disco e já fui pego logo na primeira música: 'Alma Guerreira', que representa o fogo neste trabalho "elemental" da diva, é de uma beleza ímpar. Fiquei impressionado com o brilho e a delicadeza quase divinos da voz de Dulce. O arranjo todo feito para instrumentos acústicos e orquestrais. O clímax é de arrepiar! Precedido de um suspense gerado pela orquestra, seguido de uma crescente em vibratos da soprano que explodem com todo seu poder! Sua voz vai literalmente às alturas e com um vigor que preenche todo o recinto. Espetacular! Após ouvir umas dez vezes é que passei à faixa seguinte.

Fado-Mãe é uma homenagem delicada ao estilo musical típico português, cantado à moda lusitana, rica em melismas de influência moura; o acompanhamento é feito com instrumentos étnicos e a interpretação é soberba. Uma obra de arte.

Tirioni é uma espécie de "música de trabalho", algo equivalente ao canto dos colhedores de algodão dos EUA ou das lavadoras de roupas dos rios brasileiros. Repare como é inusitada a métrica em comparação com a melodia. O arranjo é entremeado de silêncios, simples e belo.

O Primeiro Canto trás alegria. Canta também as tradições do povo trabalhador do campo. Destaco o trabalho exímio do saxofone soprano que contracanta Dulce. Diversas variações rítmicas enriquecem a peça e a cantora mostra extrema competência. Aqui ela fala por seu povo!

Modinha das Saias é uma curiosa e curta obra à quatro vozes que conta com a participação da cantora Maria João. A aparente simplicidade oculta a complexidade extrema das vozes. É alegre, assim como Pátio dos Amores.

Garça Perdida é um singelo poema emotivo. Mostra como Dulce Pontes pode certamente figurar entre as melhores cantoras do mundo. A faixa consegue se destacar no álbum, mesmo estando entre as outras músicas de evidente teor artístico.

Velha Chica, Suíte da Terra e É Tão Grande o Alentejo são músicas mais difíceis, não no sentido técnico, mas estilístico. Há um grande choque cultural que faz com que a apreciação seja mais complicada para os ouvidos de alguém que não seja português, valem como curiosidade.

O Que For Há de Ser, Ai Solidom e Porto de Máguas trazem uma sofrida melancolia típica do fado e as interpretações são pouco ortodoxas, mas riquíssimas.

O álbum é fechado com a extraordinária Ondeia. A música praticamente não tem letra, são vocalizes e variações da palavra que dá nome a faixa. Dulce é excepcional, o que ela faz nessa música é um assombro! Sem dúvida, uma filha legítima de Apolo ou de Santa Cecília. É impossível passar incólume por essa faixa, a carga emocional é gigantesca.

No encarte do CD vem todas as letras (só assim para entender o que ela fala, rsss).

Ouça abaixo esta obra-prima!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

O que é Choro/Chorinho?


O CHORO surgiu da mistura entre valsa, xote, polca e lundu.

País de origem
Brasil
Ouça aqui Choro!



domingo, 17 de outubro de 2010

50 Ob. Revol. - Nº 21 -Concerto p/ Piano Nº 9 - Mozart

Wolfgang Amadeus Mozart
Para conhecer o projeto "50 Obras Revolucionárias", clique AQUI!

  • 21 - Concerto para piano Nº 9 em E# , K271 (1777) - Mozart



Mozart estabeleceu o concerto para piano como forma musical séria, criando mais obras da mais alta qualidade que qualquer outro compositor de concertos para teclado. Ele pode nunca ter conhecido os concertos para teclado de Bach, muito diferentes dos seus, e deveu pouco ao exemplo de qualquer outro compositor de como combinar solista e orquestra. Mas quase todo compositor depois dele, a partir de Beethoven, foi devedor do exemplo de Mozart. Muitos de seus concertos foram escritos para a exibição de seus próprios talentos, embora ele tenha composto este, seu primeiro grande concerto para piano, para uma misteriosa personagem chamada Mlle. Jeunhomme. Ele tinha apenas 21 anos de idade e deu um grande salto de imaginação com esta obra. Ela é incomum e única entre os concertos para piano de Mozart, pois orquestra e solista logo no início, embora, como no Quarto concerto para piano de Beethoven, ele se mantenha em silêncio enquanto a orquestra executa seu costumeiro prelúdio. O movimento central é extraordinariamente profundo, até mesmo trágico, enquanto o Rondó final brilha de espontaneidade. Mozart escreveu suas próprias cadências, que chegaram até nós.

Influenciados: Beethoven
Gravação recomendada: Murray Perahia (Sony)


Texto extraído da revista Classic CD Nº 20



AUDIÇÃO

Concerto para piano Nº 9 - com Jos Van Immerseel
baixe aqui

sábado, 16 de outubro de 2010

Robin Hood

Robin Hood (2010)


Direção: Ridley Scott. Com Russell Crowe, Cate Blanchett, Max Von Sydow, William Hurt, Mark Strong, Oscar Isaac, Danny Houston, Mark Addy e Kevin Durand.

Sinopse: Antes de surgir como a lenda do Príncipe dos Ladrões, Robin era um cruzado que acompanhou o rei inglês Ricardo Coração de Leão em suas batalhas. Em seu retorno para a terra natal, sente-se na obrigação de atender um pedido de um nobre inglês moribundo de devolver a espada de seu pai e lhe passar suas últimas palavras. Ao chegar lá, assume o papel do nobre e passa a lidar com os problemas das terras, da viúva e dos altos impostos. Por ser um líder nato e ótimo com as palavras, cai no gosto da plebe local. Enquanto isso, o novo rei da Inglaterra encontra-se diante de uma iminente guerra contra a França e, por causa de sua política opressora, tem dificuldades para contar com o apoio de seus vassalos, que estão mais preocupados em destituir seu rei falido.


Ridley Scott trás uma nova abordagem para a lenda de Robin Hood, nela conhecemos todo o histórico do herói renegado, desde o período em que era um cruzado a serviço do rei Ricardo Coração de Leão (Danny Houston) até o momento em que tem que se esconder na floresta de Sherwood e se tornar líder de um grupo de ladrões.

Ao invés de destacar as batalhas (embora elas sejam retratadas), o roteiro se preocupa mais em abordar os conflitos políticos enfrentados pelo pequeno e falido (à época) reino da Inglaterra, o que não seria ruim se os clichês não fossem tão ressaltados: um novo rei impopular e mimado que não ouve seus sábios conselheiros e se deixa enganar facilmente por assessores mal-intencionados e por aí vai.

Quando retorna da guerra, Robin (Crowe) acaba assumindo o papel de lorde Loxley, um engodo do velho nobre (Max Von Sydow) para garantir a herança de sua nora (Cate Blanchett). Diante desse novo papel, Robin faz uso de seu enorme poder de persuasão para cativar a sofrida população local e o coração da bela viúva. Após uma série de conflitos domésticos, a história do herói é conduzida para que ele torne-se um conciliador entre os nobres ingleses e seu rei tirano, para que possam unir forças contra o rei francês que está a caminho de uma invasão, se aproveitando da desunião da nação e dominar as terras além do canal da Mancha.

A condução da história até é interessante, o problema é que o roteiro segue por um caminho mais monótono do que seria se narrasse as aventuras do Príncipe do Ladrões e sua trupe de renegados, como fizeram os filmes anteriores. Outro problema é que não há um vilão convincente que faça o papel de um nêmesis, Mark Strong com seu lord traidor Godfrey é pouco interessante e o xerife (que sempre foi o clássico vilão da história) não passa de um bufão atrapalhado.

Divertidas são as interações do protagonista com Little John (o canastrão Kevin Durand) e com o frei beberrão Tuck (o sempre bom Mark Addy).

Cate Blanchett continua bela, apesar de sua lady Marion estar sempre suja e mal-vestida por se integrar com o seu povo nas atividades mais corriqueiras e indignas de sua posição, mas que lhe angariam devoção e prestígio junto a população local. Sua atuação é burocrática a abaixo do seu (alto) nível de performance. Assim como Crowe com seu Gladiador II, menos bruto e grosseiro, verdade seja dita.

Apesar de lenta, essa aventura caminhava para um bom conceito de minha parte, porém, a sub-utilizada trama sobre o pai verdadeiro de Robin e o desfecho patético o fez cair na avaliação. Quando vi lady Marion, acompanhada de crianças maltrapilhas em seus pôneis, descendo o morro para auxiliar na guerra contra os franceses, a coisa tornou-se forçada e risível, nesse momento tive o impulso de desligar a tv. Na sequência, quando os ingleses comemoram a vitória e seu rei recusa-se a cumprir sua promessa de amenizar o tratamento com os nobres, apenas para servir de pretexto para transformar Robin de herói para fora-da-lei, tudo foi por água abaixo, primeiro porque afrontaram a história: o rei João I assinou de fato o que foi chamada de Magna Carta e segundo, que forçaram muito a barra para justificar o banimento de Robin Hood.

Um filme irregular, cheio de altos e baixos.

Nota: 5 (Razoável)

Trailer:

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

The Trio


1970


John Surman
Há alguns anos, enquanto fuçava uma loja de CDs na distante Ivoty (RS), achei esse disco de capa minimalista e pedi para o vendedor deixar eu ouvi-lo. Quando apertei o play e veio a música Oh, Dear começando com aquela quebradeira de bateria, pensei imediatamente que estava diante de algo diferente. Em seguida surge o tema executado por um incomum saxofone barítono que começava em suspense e depois abria um solo improvisado frenético - pirei! Quis levar o disco mas o preço não tinha graça... Meses depois, soube que haveria uma feira de CDs no shopping da cidade de Novo Hamburgo (RS), oportunidade perfeita para garimpar algumas preciosidades, fui e dei de cara com essa gravação: importado (britânico), duplo e incomum, perguntei o preço ao vendedor e fiquei surpreso com a resposta: R$ 5,00, levei na hora!

Barre Phillips
O Trio é formado pelo saxofonista John Surman, compositor e adepto do Free Jazz (aquele que não segue uma tonalidade definida e que os músicos solam ao mesmo tempo) e do Jazz Modal (onde as composições são escritas baseadas nas escalas gregorianas - modos), pelo baixista Barre Phillips e pelo baterista Stu Martin, ambos nomes relevantes do cenário jazzístico europeu.

Para ouvidos iniciantes, a audição pode chocar pois a impressão é que três caras, totalmente drogados, entraram em um estúdio e deram vazão a todos os seus desvarios... Se estavam drogados enquanto gravavam eu não posso afirmar, mas ouvindo com atenção, percebi que os instrumentistas exploraram com um virtuosismo alucinante toda a lógica do free jazz e do modal, utilizando toda a extensão de seus instrumentos e indo além, ou seja, tirando sons improváveis! Conceitos melódicos e rítmicos são destruídos e depois reconstruídos criando um experimentalismo impactante.

Stu Martin
John Surman utiliza uma variedade de madeiras que vão do sax barítono ao soprano, passando pelo clarinete grave. Phillips utiliza seu baixo acústico de maneira pizzicatta, com o arco e até percussivamente, enquanto Stu improvisa uma infinidade de viradas loucas em sua bateria.

A banda acabou em 1971, mas seus integrantes seguiram contribuindo para o enriquecimento do jazz tocando com inúmeros nomes consagrados e gravando discos solo.

Um disco para curiosos e vanguardistas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Nota de Falecimento: Joan Sutherland


Ontém, dia 11/10/2010 faleceu aos 83 anos, uma das maiores divas do bel canto de todos os tempos, a grande Joan Sutherland. A causa foi diversas complicações na saúde por causa de uma queda ocorrida dois anos antes.

Uma das mais notáveis cantoras de ópera do século XX, ela foi apelidada de La Stupenda por seu trabalho na ópera La Fenice. Possuía uma voz de grande beleza e poder, combinando agilidade extraordinária, entonação precisa, técnica altíssima e um registro superior ao de um soprano avançada. Seu amigo Luciano Pavarotti chamava Sutherland a "Voz do Século", enquanto sua colega Montserrat Caballé descreveu a voz da australiana como "vinda do céu". A rainha Elizabeth da Inglaterra a honrou com o título de Damme. (Wikipedia)

Damme Joan Sutherland Alston - 07/11/1926 - 11/10/2010

Ouça aqui um pouco da diva


Diversidade da Internet X Mentes Fechadas


Diante de um feriadão como esse de Nossa Senhora/Dia das Crianças, aproveito o tempo para escrever aqui mais um artigo de opinião.

Agora, no início do século XXI - a "Era da Informação" - vivemos um paradoxo: enquanto temos uma enorme diversidade de informações que nos são disponibilizadas pela Internet, existe um sem-número de pessoas, a grande parte eu diria, que vive com sua mente isolada em seus padrões já pré-estabelecidos e, uma das matérias em que isso mais se vê é a musical.

Um exemplo disso é a enorme quantidade de blogs sobre esse tema que vemos na rede, muitos se dizem blogs sobre música, mas na verdade são blogs sobre um determinado gênero musical, é muito difícil achar um blog que fale de música de fato, ou seja, um que fale sobre o assunto de forma ampla, abrangendo o tema em si de forma genérica, e procurando abraçar todos os estilos indiscriminadamente.

Penso que as razões sejam primariamente duas: uma é que seus autores têm a predileção por apenas um estilo musical e simplesmente ignoram os outros, e o segundo e talvez mais importante, é que a maioria dos leitores buscam blogs que tratam apenas daqueles estilos que vão ao encontro de seus padrões musicais. Devido a este segundo motivo, concluo que é um negócio de altíssimo risco manter um blog efetivamente sobre música, pois muitos dos leitores aproveitarão somente um pequeno percentual do que é postado, diminuindo o interesse e até causando o abandono do blog.

O curioso disso tudo é que hoje em dia, o volume e a pluralidade de informações disponíveis na Internet, poderia motivar as pessoas a diversificar e ampliar seu conhecimento, no entanto, o que muitas pessoas querem não é nada além do que mais do mesmo, e ainda assim conseguem ser incoerentes com suas próprias convicções, por exemplo: existe um grande número de amantes do rock que torcem o nariz e nem querem ouvir blues, jazz ou country, sendo que o rock de que tanto gostam mistura elementos destes três gêneros, o que provavelmente encaixaria perfeitamente em seus padrões estéticos sobre música (gosto musical).

Entretanto, acho que pessoas que "gostam de tudo", não gostam de nada, pois não conseguem se focar para poder se aprofundar, tornando-se sem "personalidade musical".

Veja que fui aos dois extremos: os mentes fechadas e os mentes abertas e critiquei os dois, então qual a conclusão deste texto?

Penso que temos que ter um gosto definido, porém abrangente, mas sempre dispostos a conhecer coisas que não fazem parte dos nossos paradigmas atuais para que possamos ouvi-las, refletir, para depois agregar ou descartar. Repito aqui uma pergunta que fiz em outro artigo aqui no blog chamado "Você Realmente Gosta de Música?" (veja leituras relacionadas abaixo):  "Nem tudo o que é mostrado precisa ser gostado, mas por que não conhecido?". Esse é o lema que procuro seguir tanto nos Sons, Filmes & Afins quanto na Central Musical: Anos 80, ou seja, oferecer ao meu leitor a oportunidade de conhecer e curtir MÚSICA, e não restringi-lo apenas às coisas que ele já conhece e tem afinidades. Sei que meus empreendimentos são arriscados e podem até não ser populares, mas acredito nisto como uma missão: tentar despertar uma característica natural da espécie humana que parece estar esquecida: a CURIOSIDADE.

Participe! Diga o pensa a respeito!

Abraços!
Rodrigo Nogueira

Leituras relacionadas:

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"Sons, Filmes & Afins,

um refúgio para quem tem a mente aberta, mas opinião própria"

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